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Descarte irregular de resíduos: um problema persistente em Porto Alegre

A colaboração da população e o fortalecimento das políticas públicas são essenciais para transformar o cenário da limpeza urbana em Porto Alegre

A meta do DMLU é aumentar em 17%, por ano, o descarte correto de resíduos na Capital
A meta do DMLU é aumentar em 17%, por ano, o descarte correto de resíduos na Capital Foto : Pedro Piegas

O descarte irregular de resíduos nas ruas de Porto Alegre tornou-se uma prática recorrente em diversos bairros da cidade. É comum encontrar materiais de todos os tipos, desde resíduos orgânicos até itens volumosos, como móveis e eletrodomésticos. Os moradores das diferentes regiões frequentemente reclamam da falta de limpeza, da proliferação de roedores e do impacto negativo que o lixo espalhado causa no comércio local.

Embora o Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) invista em infraestrutura, fiscalização e educação ambiental, os números demonstram que os desafios para controlar o descarte irregular de resíduos continuam significativos. A colaboração da população e o fortalecimento das políticas públicas são essenciais para transformar o cenário da limpeza urbana em Porto Alegre.

O DMLU afirma realizar esforços significativos para combater o problema. Segundo o diretor-geral Carlos Alberto Hundertmarker, o órgão investe por mês, aproximadamente, R$ 1,8 milhão na limpeza urbana, e destina meio bilhão de reais por ano em contratos para manutenção. Além disso, o DMLU conta com parcerias e acordos de cooperação com instituições e empresas de reciclagem para ampliar o alcance de suas ações.

Mesmo com essas iniciativas, o volume de resíduos recolhidos é significativo. Em 2022, havia 423 focos crônicos de descarte irregular; atualmente, são monitorados 197 pontos, que juntos geram 300 toneladas de resíduos por dia.

De acordo com o diretor-geral, o DMLU tem como meta um aumento de descarte correto de resíduos em 17% a cada ano. O planejamento começa em 2025 e contempla diversas ações. Uma das estratégias para alcançar esse objetivo é a nova coleta automatizada, com a instalação, a partir do início do ano, de 450 novos contêineres para o descarte de resíduos secos. Eles têm abertura menor, para dificultar o acesso e a retirada de materiais. A definição das zonas prioritárias para esses equipamentos está em andamento, mas bairros como o Centro Histórico e Menino Deus estão entre os primeiros contemplados, em um segundo momento será a vez das zonas Norte e Sul.

Projeto Bota Fora recolheu 474,29 toneladas de resíduos em 2023 | Foto: Pedro Piegas

Medidas de fiscalização

Para coibir o descarte irregular, o DMLU reforçou a fiscalização com o uso de videomonitoramento. Já foram registradas 700 infrações, resultando em multas que podem chegar a R$ 7.560. As penalidades são publicadas no Diário Oficial do Município.

“Estamos fortalecendo as nossas ações de videomonitoramento e ações fiscalizatórias in loco. Onde detectamos que o infrator está fazendo o descarte irregular, nós já aplicamos o auto de infração”, declarou Hundertmarker afirmando que a questão da educação ambiental está inserida, também, na instalação de placas que alertam a comunidade sobre o descarte correto.

“Nós temos uma infinidade de serviços à disposição da população”, afirmou o diretor-geral que ainda destacou o projeto Bota Fora como uma alternativa para facilitar o descarte dos resíduos que não são recolhidos pela coleta seletiva, e que atende 230 comunidades mais vulneráveis da Capital.

Esses mutirões recolhem eletrodomésticos, móveis quebrados, colchões, dentre outros objetos volumosos. Em 2019 foram 1.367 toneladas; em 2021, após a suspensão devido à pandemia, foram 940,18 toneladas. Em 2022, 647,56 toneladas; e em 2023, 474,29 toneladas de resíduos.

Enchente

De acordo com DMLU, os resíduos após a enchente que foram recolhidos pelo Departamento, a partir de maio, já somam 180 mil toneladas. E, segundo Hundertmarker, cerca de 130 mil toneladas já foram destinadas de forma correta para a reciclagem.

No início de 2025 está prevista a instalação de 450 novos contêineres para o descarte de resíduos secos | Foto: Pedro Piegas