O Dia das Mães, celebrado neste domingo, dia 11, deve trazer bons resultados para o comércio gaúcho, que ainda busca se reerguer após um ano da enchente. É o que apontam pesquisas feitas pelo Sindicato dos Lojistas do Comércio de Porto Alegre, da Federação das Câmaras de Comércio e de Serviços do Rio Grande do Sul (FCCS-RS) e da Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL POA). Segunda data mais importante do comércio depois do Natal, a data deve ser aguardada pelos comerciantes.
O presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio de Porto Alegre (Sindilojas), Arcione Piva, afirma que a expectativa é boa, considerando a ausência de vendas no ano passado, que não existiu por conta da catástrofe. "É um ano da retomada dessa data”, diz.
Piva projeta ticket médio deste ano, segundo as intenções de compra dos consumidores, de R$ 365,00 de investimento. Isso representa 1,6 presentes por consumidor. "É um ticket médio com investimento significativo para um presente", analisa.
Os produtos mais procurados pelos consumidores são roupas, seguidos de cosméticos, perfumaria e produtos de higiene. Em terceiro lugar ficam flores, e na sequência vem chocolates. O que é diferente dos desejados pelas mães, que lidera cosméticos, perfumaria, e produtos de higiene, seguido de roupas e flores. A pesquisa do sindicato também aponta que 82% dos consumidores pretendem comprar presentes de forma presencial.
Os estabelecimentos devem manter-se em horário normal, e podem ficar até 1 ou 2 horas a mais sem necessidade de fazer acordo, e extensões maiores devem ter negociação com os sindicatos.
Os dias de maior movimento são no sábado, na véspera, mas a taxa de vendas é também alta no próprio dia, no domingo. “Segundo nossa pesquisa, 7% da população compra no próprio dia", diz Piva, incluindo como almoços e jantares.
A Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL-POA) não tem estimativa de vendas para a data, mas realizou uma pesquisa com os dados de expectativas e interesses do consumidor. De acordo com a pesquisa, mais da metade dos respondentes irá comprar o presente na semana do Dia das Mães (52,3%), seguido de duas semanas antes com 19,7% das menções. Entre os itens mais buscados, estão roupas (28%) e itens de perfumaria, maquiagens e cosméticos (26%), seguido de 8,3 flores, 7% acessórios e 6,7% eletrodomésticos. "Essa pesquisa reforça um pouco desse otimismo. Vejo ainda como um otimismo cauteloso, moderado de alguma forma, mas sinaliza uma questão positiva para essa data. Por exemplo, tivemos uma redução expressiva do número de pessoas que diz que vai gastar entre 50 e 200 reais, com relação ao valor do presente principal e um aumento expressivo para quem vai gastar, acima de R$ 200 até R$ 500 e também acima de R$ 500", projeta Oscar Frankl, Economista-chefe da CDL Porto Alegre
A Câmara ainda informa que 55,6% dos entrevistados irá presentear apenas 1 pessoa, seguido de 30,1%, que dará presente para 2 pessoas. A pesquisa contou com 302 respostas de homens e mulheres entre 18 e mais de 70 anos, das classes A, B e C.
Rio Grande do Sul
Uma pesquisa da Federação Varejista do Rio Grande do Sul, realizada em abril com 388 consumidores, mostrou que o gaúcho deve gastar mais do que a média nacional para o Dia das Mães. Conforme o levantamento, o valor médio gasto com o presente será de R$ 317,07, superando em quase 6,4% a média nacional, de R$ 298,00, segundo estimativa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL).
A Federação das Câmaras de Comércio e de Serviços do Rio Grande do Sul projeta que as vendas do Dia das Mães podem movimentar R$ 2,3 bilhões no comércio gaúcho. A data neste ano terá um aspecto diferente no Estado em comparação com o ano passado, quando ocorreu no período da tragédia climática.
O presidente da FCCS-RS, Vitor Augusto Koch, destaca que mesmo em meio a um cenário econômico de instabilidade, com juros em alta afetando o consumo e encarecimento do crédito, o Dia das Mães 2025 será de boas vendas para o comércio estadual. “No ano passado, a enchente que atingiu o Rio Grande do Sul foi um fator que afetou severamente a celebração do Dia das Mães. Então, existe, em 2025, a oportunidade dos filhos poderem festejar essa data tão importante de maneira efetiva. É quase a comemoração de dois anos em um só. Somando a isso o tradicional apelo emocional do período, temos motivos para estar otimistas com vendas expressivas”, explica.
Muitos segmentos do comércio registram, tradicionalmente, impacto positivo nas vendas. Vestuário, calçados, acessórios e artigos de perfumaria respondem pela maior fatia dos produtos adquiridos pelos consumidores para presentear as mamães.
Também cresce a comercialização de artigos de utilidades domésticas e eletroeletrônicos. E, ainda, supermercados e restaurantes aumentam sua lucratividade com o tradicional almoço do Dia das Mães. Neste ano, o ticket médio com os presentes deve ficar em torno de R$ 225,00, com os gaúchos optando, em sua maioria, pelo pagamento à vista (pix, dinheiro ou cartão de débito) de suas compras.
Bares e restaurantes
Os bares e restaurantes gaúchos também projetam crescimento nas vendas para o Dia das Mães. De acordo com uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel RS) com empresários do setor entre os dias 22 e 29 de abril, 69% dos estabelecimentos esperam faturar mais neste ano em comparação com o mesmo período do ano passado.
Entre estes, 8% estimam um crescimento expressivo no lucro, acima de 31%, enquanto 7% projetam alta entre 21% e 30%. Já 34% preveem crescimento moderado, entre 6% e 20%, e 20% apostam em um aumento leve, de até 5%. Por outro lado, 20% dos estabelecimentos acreditam que o faturamento será igual ao do ano anterior, enquanto 1% prevê queda. Os 10% restantes informaram que não abriram no Dia das Mães do ano passado.
A pesquisa também apontou que, em março, 31% dos bares e restaurantes operaram com prejuízo, uma melhora de 9 pontos percentuais em comparação a fevereiro. Já 43% registraram lucro, enquanto 25% mantiveram estabilidade financeira. O 1% restante corresponde a estabelecimentos que ainda não estavam em atividade no mês anterior.
A Abrasel também constatou que 31% dos estabelecimentos não aumentaram os preços nos últimos 12 meses, mesmo diante da inflação. Entre os que fizeram reajustes, 58% repassaram valores iguais ou inferiores à inflação, enquanto apenas 11% conseguiram fazer reajustes acima do índice inflacionário do período.
Além dos desafios com inflação e faturamento, a pesquisa também revelou que 34% das empresas do setor estão com dívidas em atraso. Os principais débitos são relacionados a impostos federais (83%), impostos estaduais (49%) e empréstimos bancários (37%).
Movimento no comércio no Centro para o Dia das Mães