A Prefeitura de Porto Alegre concluiu nesta quinta-feira a instalação de um dique e bombas emergenciais para reduzir os impactos do alagamento no bairro Guarujá. Desde o início da semana, com a elevação do Guaíba, as ruas Oiampi e Jacipuia registram um grande ponto de acúmulo de água. Apesar de não atingir nenhuma casa diretamente, o alagamento causa transtorno para moradores, que não conseguem retirar seus veículos e precisam caminhar pelo pequeno espaço ainda seco nas calçadas.
O serviço emergencial foi feito por equipes do Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae), com o objetivo de evitar que a água do Guaíba represasse o deságue do arroio Guarujá no local. Por isso, foi feito um aterramento, similar a um dique, na foz de um valão que fica próximo da rua Jacipiua. Além disso, quatro bombas são utilizadas para a drenagem da água que causa o alagamento e outras quatro são previstas para serem instaladas no local.
VÍDEO | No bairro Guarujá, o Dmae instalou dique e bombas emergenciais para drenar alagamentos nas ruas Oiampi e Jacipuia. Moradores consideram a medida paliativa e planejam protesto no sábado.
— Correio do Povo (@correio_dopovo) June 26, 2025
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Moradores celebraram a tentativa de resolução do problema, mas chamam a estrutura temporária de “solução paliativa”. Uma destas moradoras é Cristina Abbud, que reside na rua Jacipiua. Ela conta que está sem conseguir dormir nos últimos dias com receio de uma nova cheia. “É uma esperança que nós temos de que isso funcione. Estamos todos estressados com mais essa situação. O Guaíba não precisa superar a cota de inundação para alagar a nossa rua”, contou.
Um protesto está sendo organizado pelos moradores para pedir uma solução definitiva para o alagamento. No próximo sábado, eles farão um “abraço” ao Guarujá, percorrendo algumas ruas do bairro desde as 9h. Às 10h, o grupo fará um ato na orla, a praça Zeno Simon. “É algo paliativo. Estamos contentes que é a primeira vez que fazem algo, mas queremos algo definitivo. Não temos mais saúde mental e emocional para suportar isso”, completou.
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Um novo episódio de chuva excessiva está previsto para o final de semana. Segundo a MetSul Meteorologia, instabilidade retornará ao território gaúcho já neste sábado e no domingo (29). A precipitação deverá causar uma terceira onda de vazão nos rios, pegando corpos hídricos já inundados. Não há, no entanto, a expectativa de um cenário semelhante ao segundo semestre de 2023 ou maio de 2024.
Equipe do Dmae instala dique e bombas emergenciais para drenar alagamento das ruas Oiampi e Jacipuia no bairro Guarujá.
Oportunidade na cheia
Ainda na orla do bairro Guarujá, o morador Onidio Constante encara as ondas fortes do Guaíba para, com o auxílio de um macacão de pesca, entrar na água e retirar alguns dos vários troncos de madeira trazidos pela cheia. “Nesta quarta-feira, já havia retirado uma caçamba de caminhonete cheia de madeira. Esses troncos são bem pesados. Tem que ter um cuidado para tirar eles da água, pois estão todos enrolados. Fico só na beirada aqui para tirar. Vou usar isso tudo para fazer lenha e cozinhar feijão, sopa, mocotó e tudo mais no fogão a lenha que tenho. Só vou ter que deixar essa madeira secando para poder usar. Vou ter lenha para esse verão e para o próximo”, citou.
Cheia segue preocupando no Extremo Sul
No Extremo Sul, as praias do Belém Novo e Lami foram tomadas pelo avanço do Guaíba. Em ambas, a área de lazer localizada na orla dos bairros está quase toda submersa. Ondas fortes são registradas na região, em função do vento Sul. Pescador e morador do Lami há 30 anos, Antônio de Brito conta que, caso o Guaíba avance sobre as casas. Ele conta que está participando do projeto Compra Assistida, da Caixa Econômica Federal, e aguarda a conclusão do processo para mudar-se para um imóvel no Litoral Norte.
“Infelizmente, estamos acostumados com isso. Se seguir chovendo, começa a preocupar mais. Já levei algumas coisas para o segundo andar da casa, mas pretendo colocar caixas embaixo das coisas que ficaram no térreo. Se chover tudo aquilo que estão anunciando, pode atingir minha casa. Caso isso aconteça mais uma vez, daí pretendo nem voltar mais para cá”, lamentou o morador.
Situação atual do bairro Lami após as chuvas
Guaíba invade pracinha na Orla de Belém Novo com as chuvas