Cidades

DMLU gasta R$ 1,8 milhão por mês para limpar focos de lixo em Porto Alegre

São 233 pontos de descarte irregular de resíduos, representando desafio para órgão público, que conta com o apoio da população para denúncias

Focos de lixo espalhado pelas ruas de Porto Alegre | Rua Dona Teodora, bairro Farrapos
Focos de lixo espalhado pelas ruas de Porto Alegre | Rua Dona Teodora, bairro Farrapos Foto : Camila Cunha

O lixo está presente em diversos pontos de Porto Alegre, causando mal-estar, mau cheiro, contaminação ambiental e muitos outros problemas. A imundície não está restrita na Capital, mas espalhada por bairros, ruas, avenidas e praças, em que pese o desafio do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) para sua remoção. O órgão informou que há 233 focos crônicos de lixo em Porto Alegre, e que gasta, em média, ao mês, R$ 1.870.600,00 em serviços contratados, locação de caminhões e retroescavadeiras, além de mão de obra.

O problema é generalizado, e a solução parece distante, com a profusão de materiais secos e orgânicos nestes lugares. Na zona Norte, a situação foi agravada depois das enchentes catastróficas de maio, que deixaram rastros de destruição nos bairros locais. Morador da Vila Farrapos há 50 anos, Ênio Geraldi criticou a falta de zelo diante do excesso de lixo no início da rua Dona Teodora, próximo da avenida Voluntários da Pátria, ponto conhecido de acúmulo de resíduos e alagamentos em qualquer chuva.

“Isto aqui é uma verdadeira vergonha. (Os garis) recolhem, e logo depois o povo joga aqui de novo”, comenta ele. No local, há um contêiner de recebimento de materiais, praticamente ignorado. Não distante dali, a esquina da Dona Teodora com a Pernambuco é outro ponto historicamente convertido em lixão, com as calçadas tomadas pela sujeira, requerendo trabalho dobrado por parte dos profissionais da limpeza urbana. Conforme disseram, é também comum realizar a limpeza em um turno do dia, e no seguinte, o lugar já estar coberto de lixo novamente.

O autônomo Derick Pacheco, morador da mesma área, reclama da situação na rua Júlio Castilhos de Azevedo, no bairro Farrapos, outro foco recorrente. “O povo mesmo larga por aqui, têm muitos restos de obras. Às vezes, as pessoas vêm de camionete e deixam mesmo assim”, comentou ele. A mesma situação ocorre na própria Voluntários da Pátria, no fluxo em direção à Arena do Grêmio, onde há ainda a queima irregular, que ainda prejudica a qualidade do ar e provoca emissão de gases tóxicos na atmosfera.

Na praça Garibaldi, no bairro Cidade Baixa, há também materiais fora das lixeiras, e espalhados pelo gramado, além da constante presença de moradores de rua. O local costuma ser ponto de descanso para moradores locais, especialmente aos finais de semana, que buscam maior contato com a natureza, além de blocos e festas com certa frequência. Procurado, o DMLU, vinculado à Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (SMSUrb), disse que a praça é limpa semanalmente pelas equipes da Seção Centro do órgão, e que as atividades de varrição e recolhimento de resíduos estavam programadas para esta quarta-feira no local.

A praça, segundo o órgão, não é considerada foco crônico de lixo. O DMLU disse também que, devido à presença de catadores informais, a limpeza é feita apenas no entorno ocupado, “sem retirar pertences ou materiais recicláveis das pessoas em situação de vulnerabilidade social”. Já nos demais endereços, incluídos entre os focos crônicos de lixo, as equipes do Setor Norte atuam diariamente, recolhendo cerca de 15 toneladas de lixo por dia, com 15 garis, uma retroescavadeira, dois caminhões-caçamba e um caminhão compactador. O órgão orientou o descarte nas Unidades de Destino Certo (Ecopontos), ou, em caso de dificuldade de acesso a eles, a contratação do serviço de coleta especial por meio do 156.