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“Drenagem se comportou melhor agora do que em 1º de janeiro”, diz diretor-geral do Dmae sobre temporal de quinta

Interino Darcy Nunes dos Santos afirmou, porém, que chuvas fortes “extrapolaram o sistema”, causando novos alagamentos

DMLU trabalha na limpeza urbana após forte chuva da tarde de 16/01
DMLU trabalha na limpeza urbana após forte chuva da tarde de 16/01 Foto : Camila Cunha

Porto Alegre mais uma vez viveu o pânico de um forte temporal, exatamente um ano após a ocorrência de 16 de janeiro de 2024, que, naquela primeira ocasião, deixou transtornos tais que locais da Capital permaneceram até uma semana sem energia elétrica. A tempestade da quinta, de menor intensidade, e que afetou o Centro Histórico, Cidade Baixa, Praia de Belas, Menino Deus, ilhas e no 4º Distrito, também repete o que a população da Capital viveu no último dia 1º de janeiro, com quedas de árvores, sinaleiras fora de operação, rápidos alagamentos e questionamentos da população quanto à viabilidade do sistema de drenagem em escoar a água.

Na quinta-feira, ruas mais uma vez foram tomadas pela água em questão de minutos, derrubando inclusive motocicletas no Centro Histórico. Enquanto a maior parte dos problemas havia sido solucionada até a manhã desta sexta-feira, para o diretor-geral interino do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), Darcy Nunes dos Santos, “o sistema se comportou bem melhor” do que no primeiro dia do ano. “Entendemos que o esforço que temos feito para qualificar a operação das casas de bombas tem dado resultado, com o acionamento de forma eficaz, instantânea, rápida, eliminando as falhas de falta de energia”, afirmou ele.

“Os acúmulos (de água) que houveram nas ruas têm relação com o tamanho da chuva, que está um pouco além da capacidade da infraestrutura e das bombas. O que nos importa neste momento é que o tempo de escoamento após o pico da chuva seja o mais rápido possível”, acrescentou o diretor interino do Dmae. Hoje, sistemas de macrodrenagem da Capital como a do Arroio Areia, no bairro Chácara das Pedras, segundo Nunes, comportam 60 milímetros de água em duas horas, ou cinco milímetros a cada dez minutos. Na área central, Menino Deus e Praia de Belas, é menos do que isto.

“Não adianta dizer que choveu somente 30 milímetros, mas foram 15 milímetros em dez minutos. Aí extrapola totalmente o sistema. Os primeiros minutos ontem (quinta) extrapolaram isso”. Para melhorar os índices, o custo da expansão da macrodrenagem é estimado pelo diretor em R$ 5 bilhões, e o reforço do sistema de proteção contra cheias em R$ 600 milhões. Do valor total, cerca de R$ 2 bilhões já foram captados em empréstimos pela Prefeitura.

Estas áreas que sofreram ontem estão incluídas nestas contratações, e nos próximos dois, três, quatro anos, vão acontecer intervenções pesadas ali. Mas hoje, há uma insuficiência de sistemas que é uma realidade”. Duas Estações de Bombeamento de Águas Pluviais (Ebaps) também pararam de funcionar durante o temporal de quinta, porém já voltaram a operar normalmente. Quanto ao serviço como um todo, o diretor do Dmae admitiu que a soma da capacidade de bombeamento do sistema é, hoje, de 78% do que está instalado.

“Algumas casas de bombas têm obras de melhorias de proteção contra inundações, e temos no próximo dia 21 uma concorrência pública para contratação de obras em quatro unidades, com preço máximo de R$ 51,9 milhões”. Ao longo de 2025 e 2026, o Dmae deverá fazer intervenções em 18 casas de bombas com danos das enchentes de maio, acrescentou Nunes. Os recém-instalados totens de monitoramento da Defesa Civil de Porto Alegre marcaram cerca de 22 milímetros de chuva na região das ilhas, e o vento chegou a 102 quilômetros por hora na estação do clube Jangadeiros, de acordo com a MetSul Meteorologia. Houve queda de granizo com pedras miúdas de gelo.

O temporal que caiu sobre Porto Alegre foi típico de verão, acrescentou a MetSul, e principalmente alimentado pelas altas temperaturas. Horas antes, a temperatura máxima na estação automática do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) no bairro Jardim Botânico foi de 35,1ºC. A Defesa Civil emitiu, novamente, para esta sexta-feira, alerta para chuvas de verão em Porto Alegre, com possibilidade de 20 a 30 milímetros de chuva, além de rajadas de vento de 70 a 80 quilômetros por hora.