O recuo da água na avenida Guaíba permite o retorno dos moradores ao bairro Ipanema, na zona Sul de Porto Alegre. Entretanto, não raro aqueles que residiam em frente ao calçadão encontram apenas as ruínas que a enchente não levou.
Já é possível ver a faixa de areia na praia e o fluxo de pessoas aos poucos volta ao normal, mas a paisagem não atenua o cenário de guerra. Quem caminha pela orla avista portões destruídos, janelas estilhaçadas, residências em pedaços e a maior parte do comércio ainda de portas fechadas.
O aposentado Reinaldo Frota, de 68 anos, é um dos moradores que perdeu a casa na enchente. Na manhã deste sábado, ele acompanhava as obras de reconstrução do que restou do imóvel.
O homem detalha que, durante o dilúvio, a água ultrapassou dois metros, derrubou o muro e invadiu o interior da residência. Ele e a esposa ficaram alojados na casa de vizinhos por mais de um mês.
“Tentamos resistir, mas a água ultrapassou a linha do peito e fomos forcados a sair. Além disso, o vento forte transformou nossa casa em um verdadeiro liquidificador. Perdemos tudo”, destacou o morador.
O aposentado mora no bairro Ipanema desde 1966, mas ainda não havia presenciado uma enchente nas proporções registradas em maio. Após reconstruir a moradia, ele não descarta vender a casa e se mudar para outro bairro da Capital.
“Minha esposa quer sair da zona Sul. Estamos com medo de outro dilúvio mas, se Deus quiser, nunca mais acontecerá algo semelhante de novo”, disse.