O dia seguinte ao temporal superior a 140 milímetros de chuva que atingiu Porto Alegre foi de transtornos pontuais, especialmente em lugares como os bairros Arquipélago e Lami, nos extremos Norte e Sul da cidade, mas que registraram problemas parecidos. Na Ilha Grande dos Marinheiros, ainda havia água na manhã desta sexta-feira na rua João Ignácio da Silveira, que leva ao sul da ilha, porém nada que comprometesse o trânsito de veículos no local. O autônomo Carlos Alberto da Silva Ramos, morador da área, disse que ficou em estado de observação, mas, felizmente, esta cheia foi incomparável às enchentes de maio de 2024.
“Ontem (quinta) encheu um pouco na rua, porém baixou rapidamente. Estamos com um pouco de medo porque ainda tem muita água para descer, mas vamos ficar de olho. Igual a do ano passado com certeza não vai ser”, disse ele. Ramos também contou que conseguiu recuperar a residência onde mora com a família depois das históricas inundações, mas já foi contemplado no Compra Assistida e, depois de 45 anos, sairá de Porto Alegre rumo a uma nova vida em Gravataí.
“Não é nosso desejo, porém é uma necessidade. A casa de lá é bem mais alta do que a minha”, salientou o morador. No Lami, o Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) prossegue com o conserto de tubulações na estrada Otaviano José Pinto, junto à parada 21 do bairro, e cuja quebra foi a causa dos alagamentos na área, segundo o gestor da Subprefeitura do Extremo Sul, Leandro Annes.
“Vamos trabalhar a semana toda ali, pois temos várias pequenas obras para fazer. Desviaremos a rede e implementar pequenas travessias necessárias, atuando para não haver mais afogamento de rede”, disse ele. No final da manhã desta sexta, o nível do Guaíba na régua da Usina do Gasômetro, no Centro Histórico, alcançou 2,03 metros, queda expressiva em relação a 24 horas antes, quando chegou a alcançar 2,41 metros no começo da tarde da quinta, embora ainda distante da cota de inundação, de 3,60 metros.
Mas o mesmo não foi visto nos rios do Sinos, em São Leopoldo, que mantinha trajetória de alta, atingindo 3,26 metros às 11h15min desta sexta, subindo 0,7 centímetros por hora. No rio Gravataí, em Gravataí, a situação era a mesma, com 2,60 metros alcançados no mesmo horário, alta de 1,2 centímetros por hora. Municípios como Lajeado, Muçum, São Sebastião do Caí e Dona Francisca já registravam queda nos níveis dos rios.