Cidades

Encontro de cães-guia do RS destaca importância do animal para autonomia da pessoa com deficiência visual

Ação promovida pela Faders levou cães-guia e usuários para a Assembleia Legislativa do RS

Encontro reuniu cães-guia e usuários da técnica no RS
Encontro reuniu cães-guia e usuários da técnica no RS Foto : Mauro Schaefer

A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (ALRS) foi palco do 1º Encontro de Cães-Guia do estado. O evento, promovido pela Fundação de Articulação e Desenvolvimento de Políticas Públicas para Pessoas com Deficiência e Pessoas com Altas Habilidades no RS (Faders Acessibilidade e Inclusão), destacou a importância dos animais treinados para auxiliar na autonomia da pessoa com deficiência visual.

Além de marcar o encontro de cães-guia e usuários no RS, a ação também promoveu o reencontro entre Kaiser e Kobe, dois cães da mesma ninhada e que hoje acompanham Sandro Martinês e Olga Souza, respectivamente, em suas rotinas. Ambos foram treinados por cerca de dois anos no Instituto Federal Catarinense (IFC) e destinados aos seus usuários gaúchos em meados de 2024. Desde então, não haviam mais se reencontrado.

“Eram cães que conviviam no treinamento. Cresceram juntos, brincaram juntos. O fato de se reencontrarem foi muito bom para eles. Passaram a manhã inteira brincando, pois já possuem esse vínculo. E o encontro dos usuários também é muito importante como troca de experiências de vida e do uso do cão-guia no dia a dia”, explicou Leonardo Goulart, professor e instrutor do IFC.

O treinador apresentou detalhes do processo de preparação e adaptação de um cão em cão-guia, além de destacar a demanda existente de pessoas que aguardam pelo animal treinado. O IFC já destinou 17 cães para o RS, sendo 12 para Porto Alegre, três para Caxias do Sul, um para Bagé e outro para o Chuí. Apesar disso, ele alerta que, mesmo com os cerca de 7 milhões de pessoas com deficiência visual no Brasil, o país conta apenas com cerca de 220 cães-guias.

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“No RS, temos uma lista de ao menos nove pessoas aguardando. O treinamento é bem complexo, que dura cerca de dois anos. Cada cão tem um perfil, tanto temperamental quanto físico. E a pessoa que vai receber o cão também tem que ter características compatíveis ao perfil do cão. Não é qualquer cão para qualquer pessoa”, completou.

O presidente da Faders, Marquinho Lang, destacou que a inclusão é essencial para a autonomia da pessoa com deficiência. Além disso, ele citou a intenção de preparar equipes para acompanhar a adaptação dos animais juto aos usuários. “A ideia é que possamos ter, dentro do Corpo de Bombeiros, militares capacitados para auxiliar na adaptação dos cães-guia no RS. E quem sabe, no futuro, possamos ter um canil nosso aqui no estado. Esta ação é um convite refletirmos sobre o papel de todos na construção de um mundo mais acessível”, afirmou.

Olga Souza, que é usuária do cão-guia Kobe, contou que está em seu terceiro cão, sendo o segundo treinado pelo IFC. “Entendi que seria uma técnica de acessibilidade muito interessante para ter minha autonomia, justamente pela liberdade, pela segurança e pela possibilidade de fazer o que eu gosto, que é sair, passear e ser dona da minha vida. O Kobe é um cão maravilhoso e muito tranquilo. Estou com ele há quase um ano. Quando ele está com o arreio, fica bem sério, pois sabe que é a sua função. Em casa, sem o arreio, é um animal normal e brincalhão”, finalizou.