Debater políticas públicas para recuperação e o desenvolvimento sustentável de territórios criativos, lugares estratégicos para a construção de agendas de desenvolvimento econômico pela cultura, é o objetivo do 12º Encontro da Plataforma América-Europa para Territórios e Distritos Criativos e Culturais América-Europa, que segue até as 20h desta terça-feira no Instituto Caldeira. O encontro acontece pela primeira vez no Brasil, e reúne gestores públicos de cultura, turismo e economia, empreendedores e entidades representativas da indústria criativa.
A iniciativa foi organizada pela Secretaria de Estado da Cultura (Sedac), por meio do programa RS Criativo, e o Conexiones Creativas, plataforma internacional de distritos e territórios criativos da América e Europa, que compreende em torno de 40 países diferentes. O encontro, que já foi realizado em países como Chile, Canadá e Colômbia, destaca as potencialidades dos Territórios Criativos como polos de desenvolvimento econômico. A edição conta com espaço de trocas e discussões de agendas de trabalho para os ecossistemas culturais e criativos.
Paula Truijo, diretora de estratégias da Plataforma Conexiones Creativas, tratou no evento do diálogo sobre gestão e governança entre territórios e distritos, destacando suas necessidades e o que é necessário para ser um distrito criativo.
Em entrevista, ela destacou a importância do primeiro encontro de distritos culturais e criativos no Brasil, e a colaboração para tratar de territórios criativos em locais de recuperação – no caso do Rio Grande do Sul, de um desastre climático. "Quando no ano passado se viram as inundações que afetaram o Rio Grande do Sul, toda a plataforma ficou comovida por essa situação, e nos gerou perguntas profundas sobre a crise climática e distritos culturais e criativos. Sempre que falamos de distritos, falamos de festivais, de conteúdo cultural, mas é momento de falar de sustentabilidade de maneira ampla".
Para Paula, é o motivo pelo qual o 12º encontro acontece no Rio Grande do Sul, e especialmente no quarto distrito, uma das zonas mais afetadas pelas inundações. "Temos que fazer perguntas mais profundas sobre governança, trabalho em comunidade, sustentabilidade social, política e ambiental", afirma.
Juliana Sehn, coordenadora do RS Criativo, destacou a parceria que dada com o Rio Grande do Sul no período de reconstrução no pós-enchente, com o objetivo de unir indústrias criativas que passaram por situações semelhantes, para troca e discussão de soluções de desenvolvimento para o estado. “A Secretaria de Estado da Cultura está tendo um olhar muito atento enxergando os setores da indústria criativa como um potencial de desenvolvimento para o nosso estado nesse tempo de reconstrução, mas também pensando em como a gente quer o futuro do nosso estado”, afirma.
“As indústrias criativas compreendem não apenas o setor da cultura, mas são quatro grandes áreas de tecnologia, criações funcionais, mídias e cultura. A gente entende esse diálogo intersetorial pautado na criatividade, que é a matriz econômica da indústria criativa, e que essas áreas, trabalhadas conjuntamente, vão dar um sustento para o nosso estado se desenvolver”, complementa.
Além da apresentação da plataforma e discussões sobre desenvolvimento das indústrias no Estado, devem ser abordados no evento, ainda, cases de outros estados e países, com representantes da Suíça, Chile e Argentina. O evento deve marcar, também, a assinatura de um memorando de entendimento para fortalecer a colaboração entre territórios criativos.
O destaque das palestras ficará nesta tarde por conta de Charles Landry, referência na trajetória de desenvolvimento econômico por meio das indústrias criativas. Ele iniciou, na década de 90 no Reino Unido, o diálogo sobre a visão dos setores da indústria criativa como potencial de desenvolvimento.