Cidades

Engenharia de Resiliência: conheça a ciência usada para coordenar as doações ao RS pela Base Aérea de Canoas

Operação garantiu a chegada de mais de 200 toneladas de donativos

Incialmente serão 5 voos diários e 35 voos semanais operados na Base Aérea de Canoas
Incialmente serão 5 voos diários e 35 voos semanais operados na Base Aérea de Canoas Foto : Fernanda Bassôa / Especial CP

O Aeroporto Salgado Filho, principal ligação aérea entre o Rio Grande do Sul e o mundo, foi severamente afetado pelas inundações, interrompendo suas operações e complicando a logística de socorro ao Estado. Em meio à crise, a engenharia de resiliência emergiu como uma solução para manter as operações de recebimento e distribuição de donativos, agora na Base Aérea de Canoas. A operação garantiu a chegada de 226 toneladas de donativos até 21 de maio.

Desde o início do fluxo de donativos, em 9 de maio, a Base Aérea de Canoas se tornou o epicentro das operações de recebimento de ajuda, a chamada Operação Taquari II. Contudo, por se tratar de um aeródromo militar, que tem estrutura e diversas outras complexidades diferentes de aeroportos civis, a coordenação de pousos e decolagens para a distribuição dos donativos não era tarefa fácil.

Rafael Trancoso, CEO da Adjust, empresa sediada no Tecnopuc, foi contatado para ajudar a desenhar a operação de pousos e decolagens de aviões comerciais na base, assim como encaminhar as doações. O convite para ajudar de forma voluntária veio porque sua empresa tem uma parceria com a Defesa Civil de Porto Alegre e que, pelo fato de ser piloto de formação, também tinha contatos com as empresas aéreas.

“Quando entraram em contato comigo falando que queriam ajuda, estabeleci um link com a Defesa Civil do Estado. Nisso, a pedidos do Comando Militar do Sul, eu ajudei a desenhar a operação”, explica. Rafael contou que atuou como ligação entre as partes levando as necessidades de donativos para as empresas e o apoio logístico para o carregamento e o descarregamento das aeronaves.

“Estruturar uma operação que, mesmo tendo imprevistos, tem a capacidade de se adaptar a esses imprevistos é o objetivo da Engenharia de Resiliência.”

Além da parte de estruturação dos voos, Rafael conta que foi necessário organizar detalhes de apoio logístico, como por exemplo o tempo que as aeronaves passariam na pista depois de pousar com os donativos, já estariam consumindo combustível custeado pelas empresas aéreas.

Neste momento, as operações passaram para uma fase de “estabilização”, em que a via terrestre de distribuição de donativos acaba predominando, explica Rafael. Dessa forma, a Base passou a receber voos comerciais nesta segunda-feira, 27, com a coordenação destas operações passando para os órgãos reguladores da aviação aérea.

A engenharia de resiliência proporciona ferramentas para o planejamento em cenários de incerteza, essencial em situações de desastre. No caso da Operação Taquari II, isso envolveu:

  • Demanda e Coordenação: a solicitação de donativos às empresas aéreas, estabelecendo datas e horários de envio.
  • Monitoramento e Comunicação: notificação do carregamento e acompanhamento em tempo real dos voos.
  • Logística e Descarregamento: coordenação com o Exército para descarregar os donativos e comunicação com a Força Aérea e Defesa Civil para a distribuição final.

Veja Também