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Entregadores e motoristas de aplicativos fazem manifestação em Porto Alegre

Trabalhadores, que fizeram motociata de Canoas a Porto Alegre, pedem reajuste no valor das entregas e melhorias nas condições de trabalho

Manifestação, acompanhada por órgãos de trânsito, percorreu diversas vias de Canoas e Porto Alegre
Manifestação, acompanhada por órgãos de trânsito, percorreu diversas vias de Canoas e Porto Alegre Foto : Camila Cunha

Cerca de 200 motociclistas, mais motoristas de aplicativos, promoveram uma manifestação pacífica com buzinaço no começo da tarde desta segunda-feira em Porto Alegre, como parte do Breque Nacional dos Apps, mobilização ocorrida também em outros Estado em busca de melhores condições de trabalho para estes profissionais, e que continua também nesta terça-feira.

Uma motociata com trabalhadores de municípios da Região Metropolitana, como Cachoeirinha, Gravataí e Canoas, saiu do Centro de Canoas, na Região Metropolitana, passando por importantes vias de Porto Alegre, como as avenidas Farrapos e Borges de Medeiros, até o hub da plataforma iFood, junto ao shopping Praia de Belas, onde se juntaram a motociclistas locais. No Estado, também houve mobilizações em municípios como Lajeado, Santa Maria e Caxias do Sul.

Houve o acompanhamento da Brigada Militar (BM), Polícia Rodoviária Federal (PRF) e Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC). O protesto não mira uma empresa específica de entregas por aplicativo, mas todas, e teve o apoio de entidades ligadas aos motoristas por aplicativos, como o Sindicato dos Motoristas de Transporte Individual por Aplicativo do RS (Simtrapli-RS) e a Associação Liga dos Motoristas de Aplicativos do RS (Alma-RS). As demandas deles dizem respeito ao aumento do repasse do valor pago aos motoristas.

“Em nove anos de serviço da Uber no Rio Grande do Sul, não houve nenhum tipo de aumento na tarifa”, disse, na segunda-feira, a presidente do Simtrapli-RS e secretária-geral da Alma-RS, Carina Trindade, também presente na manifestação desta terça. Segundo a diretora do Sindicato dos Motociclistas e Ciclistas Profissionais do RS (Sindimoto-RS), Gabriela Gonçalves, há uma série de demandas a serem cumpridas pelas plataformas, que, por sua vez, não estariam abertas ao diálogo.

“A ideia da manifestação é por esta visibilidade. Hoje, a taxa mínima de entrega é R$ 6,50, o que, diante dos reajustes, principalmente dos combustíveis, não paga o custeio dos trabalhadores, e faz com que eles tenham uma jornada de trabalho ainda mais cansativa e com elevado risco de acidentes”, comentou ela. O Sindimoto e demais representações sindicais pedem R$ 20. Há também o pedido para que o tempo de entrega seja melhor regulado.

“Alguns trabalhadores que coletam em grandes redes de fast-food e mercados ficam até uma hora ou mais aguardando até que o pedido seja liberado, porém este tempo não é remunerado, e o score dele dentro da plataforma é reduzido, fazendo com que fature menos. Queremos, então, que este tempo seja reduzido para 10 minutos e que o entregador possa fazer outra entrega”, salientou. Ainda conforme ela, uma audiência de mediação entre as partes deve ocorrer ainda nesta tarde junto ao Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT4), cuja sede fica próxima ao Praia de Belas.

Mas, independentemente do resultado, nesta terça a mobilização continua de maneira mais pontual, segundo indicado pelo Sindimoto, com a orientação que os motociclistas desliguem as plataformas neste dia. Procurada, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que representa as seguintes empresas: 99, Alibaba, Amazon, Buser, iFood, Flixbus, Lalamove, nocnoc, Shein, Uber e Zé Delivery, disse, em nota, que “respeita o direito de manifestação e informa que suas empresas associadas mantêm canais de diálogo contínuo com os entregadores”.

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Confira a nota completa da Amobitec

A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) respeita o direito de manifestação e informa que suas empresas associadas mantêm canais de diálogo contínuo com os entregadores.

Sobre a remuneração dos profissionais, de acordo com o último levantamento do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), a renda média de um entregador do setor cresceu 5% acima da inflação entre 2023 e 2024, chegando a R$ 31,33 por hora trabalhada.

As empresas associadas da Amobitec apoiam a regulação do trabalho intermediado por plataformas digitais, visando a garantia de proteção social dos trabalhadores e segurança jurídica das atividades. Além disso, atuam dentro de modelos de negócio que buscam equilibrar as demandas dos entregadores, que geram renda com os aplicativos, e a situação econômica dos usuários, que buscam formas acessíveis para utilizar serviços de delivery.