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Enxame de abelhas em árvore preocupa moradores e comerciantes no entorno da praça Otávio Rocha, em Porto Alegre

Saiba também o que fazer caso verifique a presença desses animais ou haja um acidente com eles

Comerciantes e pedestres do entorno da Praça Otávio Rocha, no centro de Porto Alegre, se preocupam com grande colmeia de abelhas numa das suas árvores
Comerciantes e pedestres do entorno da Praça Otávio Rocha, no centro de Porto Alegre, se preocupam com grande colmeia de abelhas numa das suas árvores Foto : Camila Cunha

A praça Otávio Rocha é um dos principais locais de circulação do Centro Histórico de Porto Alegre, sendo um oásis verde em meio ao cenário urbano. Incrustado em meio a um dos principais centros comerciais da Capital, é lugar de moradia de pássaros e descanso de pessoas, porém, nas últimas semanas, a presença de um enorme enxame de abelhas tem preocupado frequentadores e comerciantes próximos.

"A gente nem consegue trabalhar, de tanta abelha que voa por aqui. Está totalmente cheio. Tem dias em que precisamos fechar o buffet mais cedo porque eles entram aqui e tomam conta de tudo", disse a funcionária de um restaurante próximo, Adriana Braga. Atraídos pelo café e pelo açúcar, estes insetos perturbam a rotina, além de haver um histórico preocupante de ferroadas.

A Prefeitura e o Corpo de Bombeiros Militar do RS (CBMRS) já foram acionados, disse Adriana, mas nada foi feito. “Nos últimos dias, elas até deram uma trégua, mas há algumas semanas estava bem complicado.

Semanas atrás, uma idosa, relatando ser alérgica, precisava sair rapidamente do estabelecimento enquanto se alimentava no local. Procurada, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus) disse que situações envolvendo abelhas não são de sua responsabilidade, mas dos Bombeiros. A corporação, por sua vez, afirmou não ter recebido chamadas recentes relacionadas a disciplinas nesta região.

Dados do próprio CBMRS apontam que, entre 1º de janeiro e o final de outubro, houve 4.182 ocorrências envolvendo abelhas, com a liderança da Capital, com 11,29% do total do Estado, ou 472. Em seguida, aparecem São Borja, com 282 (6,74%), Santo Ângelo (153, 3,66%), São Luiz Gonzaga (151, 3,61%) e, fechando o top 5 de municípios, Caxias do Sul, com 141 ocorrências, ou 3,37% (veja arte). Neste ano, no mesmo período, duas pessoas morreram, em Soledade e Osório.

Acidentes causam 50 mortes por ano no Brasil

Ao todo, 172 cidades gaúchas registraram pelo menos uma ocorrência do tipo ao longo deste período. Conforme o Instituto Butantan, o Brasil registra anualmente, em média, 20 mil acidentes com este inseto e 50 mortes. Segundo o coordenador do Laboratório de Análise e Polinização da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Charles Fernando dos Santos, a funcionalidade da liberação de enxames é comum na primavera, período de redução do frio.

“Nesta estação, há mais flores para a coleta do néctar e pólen, o que fazer estes ambientes crescerão muito em quantidade de abelhas”, comentou ele. Como mais exemplares deles em busca de alimento, começa a faltar espaço no ninho ou colmeia, fazendo com que parte deles migre para outro local vazio para iniciar um novo ninho, que termina construído em qualquer tipo de cavidade onde haja o enxame.

Caso um deles seja encontrado, uma pessoa não deve tentar removê-lo sozinha, pois os dados podem atacar com ferroadas. “A recomendação é chamar o Corpo de Bombeiros, que geralmente tem o contato de apicultores que fazem essa remoção controlada”, disse o professor. Vibrações e barulhos de motores, como cortadores de grama, também podem irritar as abelhas, assim como passar próximo aos ninhos.

| Foto: Leandro Maciel

O que fazer em caso de ataques

Em caso de ataque, a recomendação é se afastar o mais rapidamente e o mais longe possível, protegendo o rosto, garganta e pescoço, lugares preferenciais para eles, e, de preferência, buscar abrigo. "Ao atacar, as abelhas lideram um feromônio, um cheiro que atrai ainda mais exemplares. Quanto mais longe se vai, mais elas perdem o interesse", explicou Santos.

De acordo com a médica Bruna Telles Scola, do Centro de Informações Toxicológicas (CIT) da Secretaria Estadual da Saúde (SES), acidentes com abelhas podem causar dor intensa, prurido e edema, da mesma forma que com vespas e marimbondos, e o atendimento clínico deve ser procurado de forma urgente. “No caso das abelhas, há o risco de ocorrência anafilática, onde apenas uma picada pode ser letal em um paciente sensibilizado, ou efeitos tóxicos decorrentes de inúmeras picadas e grande quantidade de veneno inoculado”, disse ela.

"Todos os pacientes devem ser atendidos por no mínimo uma hora após o acidente. As reações anafiláticas geralmente surgem dentro de 15 minutos após a exposição, e a maioria dos óbitos ocorre nas primeiras horas", acrescentou. Está em fase final de estudos clínicos pelos institutos Vital Brazil e Butantan o soro antiapílico, destinado a pessoas que receberam múltiplas picadas, e que neutralizam o veneno. Assim que os protocolos de teste forem encerrados, o material será enviado à aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Em caso de acidente, o CIT deverá ser contatado pelo telefone 0800 721 3000. O número funciona 24 horas por dia.

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