Equipe da Record enfrenta ciclone e ondas de 5 metros em alto-mar durante cobertura das enchentes no RS

Equipe da Record enfrenta ciclone e ondas de 5 metros em alto-mar durante cobertura das enchentes no RS

Reportagem acompanhou operação da Marinha do Brasil e dos EUA a bordo do navio Atlântico durante passagem de ciclone no oceano

Luciamem Winck

O repórter Jairo Bastos e o reporter cinematográfico Diego Vieira acompanhavam operação entre a Marinha do Brasil e dos EUA quando foram supreendidos por passagem de um ciclone no oceano

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A equipe da rede nacional da Record enfrentou momentos dramáticos em alto-mar. Além de cobrir as cheias na Lagoa dos Patos, acompanhou a operação da Marinha do Brasil e da Marinha dos Estados Unidos, em alto-mar, na transferência de donativos arrecadados no Rio de Janeiro. Eis que a equipe ficou presa no navio “Atlântico Multipropósito” por causa das condições climáticas. Enfrentou um ciclone em no meio do oceano, com ondas de 5 metros e vento de 150 km/h.

Quem nos fala sobre essa dramática experiência é o repórter Jairo Bastos, jornalista gaúcho que integra a rede nacional da Record. Segundo ele, essa foi uma das sensações mais terríveis pela qual já vivenciou em sua carreira no jornalismo. Além de Bastos, a equipe da Record que acompanhava a operação integrada da Marinha do Brasil e dos EUA era formada pelo repórter cinematográfico Diego Vieira. A história completa deste drama vivido pelos profissionais pode ser conferido em um podcast preparado pelo Correio do Povo.

“Nós sabíamos que o mar estava agitado, que ia ter uma provável tempestade nas horas seguintes. Tanto é que as operações foram aceleradas durante a manhã. Havia a possibilidade de deixarmos o navio de helicóptero, porém não teve teto e, com isso, teríamos que passar a noite no navio. No início, a gente não tinha noção do que poderia acontecer. Ninguém saía pelos corredores, e o navio é gigantesco. Eu e o Diego conversávamos se realmente seria tanto vento assim. A experiência foi desafiadora, mas eu não pretendo passar nunca mais na minha vida”, relatou.

A viagem aconteceu no último final de semana. Bastos recorda que a saída no domingo, já dentro do navio, ocorreu pelo porto de Rio Grande. O Atlântico Multipropósito seguiu em direção a um navio de guerra americano, que estava em alto-mar, cerca de 150 km da costa brasileira, carregando toneladas de mantimentos para o RS. A reportagem da Record acompanhou de perto a transferência da carga, que ocorreu com o auxílio de helicópteros na segunda-feira. A tempestade chegou na noite após a operação.

Apesar da adversidade, Bastos conta que estar em um dos maiores navios de guerra do mundo, além do tratamento dado pela Marinha do Brasil, os deixaram seguros. “Nos falavam das possibilidades e o que poderia acontecer. Eles se mantinham muito tranquilos, muito seguros, então isso passava pra gente. Nos alojamentos, cada cama tinha uma barra de proteção. O navio balançava muito e a sensação que dava é que ele ia virar. E isso é potencializado pelo fato da gente não estar acostumado ou ter treinamento para esse tipo de situação”, completou.

Ainda conforme o repórter da Record, a situação se agravou durante a madrugada, com a chegada de ventos de até 150 km/h, conforme o ciclone passava pela região onde o navio estava. “No início, quando ainda nem estava forte, a gente já tava um pouco preocupado. Mas quando chegou o pior, não tinha nem com levantar. Se tentasse sair para o corredor, corria o risco de cair ou bater a cabeça. É uma situação bem complicada. Eu diria uma das coberturas mais arriscadas que já participei. Era uma sensação de estar preso ali e não ter para onde correr”, afirmou.

Bastos e Vieira só foram entender o que de fato havia acontecido na manhã seguinte, quando a Marinha do Brasil comunicou que a imprensa seria retirada por questões de segurança. Não foi possível registrar o ciclone, pois estávamos nos alojamentos, sem janelas. Quando voltamos de helicóptero, o mar já estava mais tranquilo. A ideia inicial era partir com o navio e voltar com ele também, mas pelo risco de novas tempestades que poderiam vir a acontecer, a Marinha achou mais segura que voltássemos de helicóptero até Rio Grande”, finalizou.

Apesar de toda a dificuldade enfrentada em função das condições climáticas e da escassez de sinal em alto-mar, a reportagem da operação entre a Marinha do Brasil e dos EUA foi ao ar ainda na segunda-feira, no Jornal da Record, mantendo vivo o compromisso do jornalismo com a credibilidade e os fatos, mesmo com todas as adversidades vividas nos RS.


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DESDE 1º DE OUTUBRO 1895