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Escolas de Cachoeirinha podem ficar sem merenda até o fim do ano letivo

Prefeitura alega que não há dinheiro suficiente para atender as 33 instituições do município

Escolas de Cachoeirinha estão recebendo merenda em quantidades reduzidas pela prefeitura
Escolas de Cachoeirinha estão recebendo merenda em quantidades reduzidas pela prefeitura Foto : Fernanda Bassôa / Especial / CP
A crise financeira pela qual passa Cachoeirinha chegou nas cantinas e refeitórios da rede municipal de ensino. As escolas de ensino fundamental e de educação infantil estão recebendo merenda em quantidade reduzida, os cardápios estão sendo readequados e a situação só tende a piorar.

Professora há 12 anos da escola Getúlio Vargas, no bairro Vista Alegre, o segundo maior colégio do município, e delegada sindical do Sindicato dos Municipários de Cachoeirinha (Simca), Valdete Moreira, disse que as crianças alternam entre bolacha água e sal, no café da manhã, e pipoca. “Estão proibidas de repetir as refeições. Se continuar desta forma só teremos comida para mais uma semana, mesmo recebendo de forma racionada. A situação é caótica", reclamrou Valdete. "E o pior é que não podemos aceitar doações da comunidade. Um absurdo. Isso é fruto de má administração, de gerenciamento, onde o governo usa recursos de uma rubrica para cobrir dívidas de outra. As crianças estão pagando por isso", acrescentou. 

A secretária de educação do município, Rosa Maria Lippert, admite o problema e enfatiza que realmente não há dinheiro suficiente para a merenda das 33 instituições até o final do ano letivo. “Diante desta situação, já prevista desde o início do ano, encaminhamos para a Câmara de Vereadores, na semana passada, o projeto de lei que autoriza o Executivo utilizar o recurso do Salário-Educação para a compra de merenda escolar", afirmou. "O projeto foi encaminhado em caráter de urgência, pois existe sim o risco dos 11 mil estudantes ficarem sem as refeições", disse. Segundo ela, 2,9 mil alunos da educação infantil (turno integral) recebem quatro refeições ao dia e o restante, de turno parcial, duas refeições diárias.

De acordo com dados da prefeitura de Cachoeirinha, o recurso federal do Programa Nacional de Alimentação Escolar não foi suficiente para cobrir as despesas referentes ao fornecimento de toda alimentação escolar até o final do ano letivo.

Devido à crise financeira, a previsão orçamentária para alimentação escolar com recursos próprios da prefeitura, com base na receita líquida para este exercício, foi inferior ao valor necessário para aquisição dos produtos. O valor mínimo necessário para garantir o abastecimento, com cardápio adequado, para os 11 mil anos da rede até o fim de 2017, seria de R$ 996,3 mil. Além disso, há pendências financeiras com fornecedores, do ano de 2016, que totalizam quase R$ 473 mil.

A assessoria da Câmara de Vereadores do município informou que o projeto está sendo analisado pela Comissão de Constituição e Justiça para, posterior, ser encaminhado aos vereadores que compõem a Comissão de Orçamento e Finanças. Há um prazo de 15 dias para o mesmo entrar em votação.