Assim como em diversas áreas, o mercado jurídico também está passando por mudanças. Entre as principais, estão a estruturação de áreas de gestão de dados e inteligência artificial e a consolidação do mercado de capitais no dia a dia jurídico, desde a antecipação de créditos trabalhistas até a criação de novos modelos de negócios. O encontro Esfera Conecta, realizado por sócios do BBMD Advogados, reúne, ao longo desta quarta-feira, painéis organizados em eixos temáticos que discutem a modernização do setor e a necessidade de criar um ecossistema jurídico que atenda essas demandas de mudança.
"Enquanto a advocacia tradicional vem se transformando, precisa ser criado um movimento de qualificação dos profissionais, de entender quais são os próximos passos da advocacia e se a advocacia vai acabar. A gente está se propondo realmente a criar esse ecossistema para gerar conexões entre os profissionais da área. E a partir daí, a gente produzir o conhecimento e chegar do outro lado", destacou Isaac Bertolini, criador do evento e sócio do escritório BMD Advogados.
Segundo ele, diversas mudanças marcam o trabalho jurídico nas últimas décadas. Bertolini cita que preocupações sobre como deverão ser os procedimentos ocorrem desde 1930, com a adoção de máquinas de escrever para peticionar processos. "A OAB viu como um empecilho, porque ela não teria certeza se o advogado efetivamente tinha escrito aquela peça, porque antes as peças eram escritas à mão. Depois, o processo virou eletrônico na década de 90 e novamente a gente tirou um questionamento. Como eu não tenho mais um processo físico?" Em 2020, também surgiram preocupações com as audiências virtuais e a verossimilhança ao ouvir as testemunhas.
Com o avanço do uso da inteligência artificial, também há discussões atuais sobre como utilizar as ferramentas no Direito sem abrir mão da relação advogado-cliente? "A era da inteligência artificial foi o maior marco na história da humanidade desde a revolução industrial", destacou.
Outros fatores que envolvem o uso da tecnologia tem relação com as redes sociais e as diferentes pressões que acabam surgindo no exercício da função. "Tenho que saber de direito tributário e trabalhista, também tenho que saber pagar uma conta, um tributo, tenho que saber ser coach na internet, preciso lidar com essa mudança de geração. São esses problemas que a gente está tentando solucionar".
O melhor caminho, para o especialista, é fazer as conexões, ou seja, criar um ecossistema jurídico com profissionais de diferentes áreas e promover a chamada advocacia 2.0, explorando o mercado e dividindo as funções. "Eu não preciso ter todas as competências numa mesma pessoa. Eu posso usar as competências de um colega e a gente pode entregar mais valor do que separadamente".
O evento conta com eixos temáticos como gestão, tecnologia, inteligência artificial, capital e empreendedorismo. Entre os palestrantes, estão Carol Tupinambá, doutora em Direito Processual pela UERJ e em Direito do Trabalho pela USP, que ocupa a cadeira 47 da Academia Brasileira de Direito do Trabalho; Ricardo Guimarães, professor doutor pela PUC-SP, titular da cadeira 81 da mesma Academia e ex-dirigente da Associação dos Advogados Trabalhistas de São Paulo; e Cristina Kaway Stamato, advogada trabalhista e coautora do Dicionário das Decisões Trabalhistas.
- EUA vetam uso de IA chinesa DeepSeek em agências governamentais
- Apergs completa 60 anos com ampliação da presença de procuradores em órgãos estaduais
- INSS e Previdência publicam regras do benefício para mulheres afastadas por medida protetiva
Ecossistema Jurídico em debate em evento na Unisinos Porto Alegre