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Especialistas dos Países Baixos apresentam relatório contra inundações no RS

Em parceria com técnicos do Dmae, especialistas estiveram em Porto Alegre para analisar o sistema de proteção contra enchentes na cidade

Diretor do Dmae e especialista dos Países Baixos apresentaram o relatório
Diretor do Dmae e especialista dos Países Baixos apresentaram o relatório Foto : Mauro Schaefer

Especialistas vindos dos Países Baixos (Holanda) apresentaram nesta segunda-feira um relatório da análise realizada em junho nos sistemas de proteção contra inundações em Porto Alegre. O trabalho foi realizado em parceria com técnicos do Departamento de Água e Esgoto (DMAE).

Conforme o conselheiro institucional da Agência Empresarial Holandesa (Netherlands Enterprise Agency – RVO), Ben Lamoree, o resultado das análises apurou que o volume de água que chegou à Capital foi maior do que a capacidade suportada pelos sistemas de proteção existentes. “Não foi difícil chegar à conclusão de que o desastre aconteceu por uma razão bastante simples. O desenho do sistema foi feito para uma enchente de certa magnitude e o evento demandou uma capacidade maior”, resume.

Além da constatação, o conselheiro explicou que o relatório abordou o que deveria ser feito a curto prazo, com sugestões de pequenas medidas, prevendo novos episódios de chuvas que podem vir a acontecer. “Nosso relatório recomenda, para o futuro, realizar medidas estruturais para poder melhorar o sistema de proteção e, ao mesmo tempo, recomenda medidas não estruturais. Entre elas estão avisos e uma melhor capacidade de monitoramento, para se chegar a informações úteis, que podem ser passadas à população em caso de cheias”, detalha Lamoree.

O diretor-geral do Dmae, Mauricio Loss, explicou que o diálogo com os especialistas havia iniciado no início do ano, com objetivo de fazer melhorias na drenagem da cidade e, também, de discutir a situação das ilhas. Contudo, diante da tragédia de maio, a conversa foi ampliada. “Nós estamos falando falando de um sistema de proteção contra cheias que foi construído na década de 1970. Achávamos que estávamos protegidos, porém, com a enchente de maio, descobrimos que nunca estivemos protegidos”, afirma. Loss informou, ainda, que em alguns pontos a cota que se estiva que teria a capacidade de suportar uma enchente de seis metros, na verdade, possuía pouco mais de quatro metros.

Para elaborar o relatório, os especialistas estiveram com técnicos e representantes dos governos municipal, estadual e federal, incluindo pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O grupo visitou comportas, casas de bombas e diques nas zonas Norte, Sul, Centro e Ilhas para avaliar a estrutura atual do sistema de proteção contra cheias de Porto Alegre. A comitiva também conversou com moradores das regiões afetadas pelas inundações, para saber mais sobre suas realidades e vivências.

As ações são coordenadas pela Rede Diplomática e Econômica Holandesa no Brasil, através da Embaixada, do Consulado Geral de São Paulo e do Escritório Holandês de Negócios na Região Sul do Brasil (NBSO Porto Alegre).

No encontro também foi apresentada a programação da conferência de cocriação, que acontece de terça a quinta-feira, no 3º andar do Centro Cultural UFRGS, em Porto Alegre. O governo do Estado e do Reino dos Países Baixos, em parceria com a Prefeitura de Porto Alegre e a UFRGS, vão realizar três dias de workshops práticos sobre o tema: Repensar o Sistema de Proteção contra Enchentes no Delta Metropolitano de Porto Alegre.

Estão confirmados cerca de 10 especialistas de diversas organizações neerlandesas – acadêmicas, governamentais e privadas – para discutir com profissionais do Rio Grande do Sul e de outras partes do Brasil. O resultado será prático e de uso direto para os esforços na construção de um sistema resiliente de proteção contra inundações.