Um dos municípios que mais sofreu com a enchente em 2024, Eldorado do Sul convive novamente com cheias pouco mais de um ano depois. No bairro Chácara, moradores colocam cartazes exigindo atenção das autoridades para os alagamentos recorrentes, e reivindicando principalmente a dragagem dos corpos hídricos. A comerciante Carolina Trapp decidiu organizar um grupo para reunir moradores do município para mobilização. “No sábado à noite, em função das enchentes, que a gente não aguenta mais, criei um grupo para agregar todos e solicitar solução imediata para as enchentes em Eldorado, porque a cidade não aguenta mais. Do jeito que está, está se tornando uma cidade fantasma. Está insustentável viver desta forma”, diz.
O grupo, que já chega a quase mil membros, organizou produção de cartazes para distribuir em casas e comércios, com frases como “Eldorado do Sul pede socorro” e “S.O.S. dragagem dos rios”. As principais reivindicações envolvem dragagem nos rios, galerias na Ponte Seca para escoar a água e obter vazão para o Jacuí, e a construção de um dique. “De ontem para hoje tomamos a ação de distribuir em comércios e casas cartazes colocando nossa indignação em que a gente pede que seja solucionado os problemas das enchentes em Eldorado”, complementa Carolina.
Nesta tarde, ela fará uma reunião com a prefeita Juliana Carvalho para tratar das situações da dragagem. Uma manifestação entre os moradores também está sendo organizada. “A cada chuva que acontece, tem enchentes na cidade. Antes era só nos bairros ribeirinhos, mas agora estamos sofrendo enchentes na cidade inteira, em bairros onde nunca tiveram água. Eldorado do Sul pede socorro, estamos gritando e não podemos mais viver assim”, diz Carolina Trapp.
Quem sugeriu a elaboração de cartazes foi Raquel Dorneles, moradora do bairro Chácara. Ainda que sua casa não tenha sido atingida pela água desta vez, ela tem um filho com autismo que não está conseguindo ir à terapia por conta dos alagamentos. “Eldorado está cada vez mais afundando com essas águas. Não era tanto assim quando faziam as dragagens. Lembro que a água vinha na rua, mas mal entrava nas casas”, diz. Ela teve sua casa submersa pela enchente do ano passado. Desta vez, ergueu todos seus materiais de trabalho. “Tudo que pude para não molhar”, diz.
A água, apesar de ter recuado, ainda traz transtornos a alguns moradores do bairro. Na rua Ervino Neumann, esquina com a avenida Nestor Jardim Filho, os moradores Zuleika Rocha Cardozo e Flademir da Silva Ribeiro acompanham com expectativa o comportamento da água, que pode retornar com a subida do Jacuí. A água chegou a invadir os cômodos da casa do casal, que precisou sair de casa na enchente do ano passado. Flademir carrega sequelas de um infarto decorrente da complicação de leptospirose, que contraiu na enchente. “Minha casa está interditada, com muitas rachaduras”, relata Zuleika.
PGE-RS tenta reverter suspensão da licitação para anteprojeto da obra de contenção de cheias no município
Nesta segunda-feira, dia 30, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE-RS) interpôs recurso contra a decisão ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) para reverter a decisão que suspendeu o processo de contratação da empresa responsável pela atualização do anteprojeto das obras do sistema de contenção de cheias no município. A licitação estava em fase final, com a empresa Hidrostudio já declarada vencedora, quando a decisão do conselheiro suspendeu o andamento com base na modalidade adotada - técnica e preço, em vez de apenas menor preço.
Estive hoje em Eldorado do Sul para anunciar uma medida importante: a Procuradoria-Geral do Estado está protocolando ainda hoje o recurso ao Tribunal de Contas do Estado para reverter a suspensão da licitação que contrataria a empresa responsável por atualizar o anteprojeto da… pic.twitter.com/Dv5Xk3RgGT
— Eduardo Leite (@EduardoLeite_) June 30, 2025
O sistema de proteção de cheias em Eldorado do Sul está contemplado no Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos (Firece), que reúne R$ 6,5 bilhões da União, sob gestão compartilhada com o Estado do Rio Grande do Sul. A obra é considerada prioritária entre as que envolvem o sistema de proteção.
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