Idealizada e construída pelo escultor Antônio Caringi para celebrar o centenário da Revolução Farroupilha no Rio Grande do Sul, em 1935, a enorme estátua que homenageia o general Bento Gonçalves, entre as avenidas João Pessoa e Azenha, em Porto Alegre, está em estado visível de degradação, comprometendo o legado do herói revolucionário.
“Ocorre ali um vandalismo bastante acentuado desde 2017 e 2018. O monumento está completamente abandonado, pichado, sujo e vandalizado. O estado dele é calamitoso”, disse o historiador José Francisco Alves, autor do livro A Escultura Pública de Porto Alegre. Em sua base, o excesso de pichações dificulta a tarefa de localizar o nome do general, e o monumento em si, apesar de sua imponência e importância histórica, pode, inclusive, passar despercebido aos olhos mais desatentos em meio ao trânsito da avenida.
De acordo com Alves, a obra foi encomendada para a comemoração da Exposição do Centenário Farroupilha, realizada no Parque Farroupilha a partir de 20 de setembro de 1935. Caringi foi, então, contratado entre 1934 e 1935, e produziu a obra em seu ateliê, em Munique, na Alemanha. Inicialmente, ela deveria estar localizada na ponte da Azenha, tendo sido planejada para a plataforma principal da exposição, como uma forma de recepcionar os visitantes.
Monumento a Bento Gonçalves entre as avenidas João Pessoa e Azenha
Mas um atraso fez com que a inauguração da estátua em si ocorresse apenas em 15 de janeiro de 1936, no encerramento da exposição. Nos idos de 1940, ela foi transferida para o local atual, após a reformulação da avenida e a criação da Praça Piratini. Nos anos seguintes, o entorno do monumento recebeu desfiles cívicos, embora, normalmente, a estátua em si seja o local onde ainda se guarda a Chama Crioula. “Com os anos, tudo isso foi se esquecendo, e também as comemorações farroupilhas foram esquecendo seu grande líder”, lamentou Alves.
Em 2017, quase uma tonelada de bronze e baixos-relevos produzidos na Alemanha foram furtados, e a cantaria de granito vandalizada, acelerando a degradação. Dois anos depois, a Prefeitura de Porto Alegre buscou cerca de R$ 500 mil ao Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), em um fundo para restauração da estátua, mas o projeto não foi selecionado.
A história do monumento deverá ser contada também a partir do próximo dia 19, em uma exposição alusiva à Exposição do Centenário, na Casa da Memória Unimed Federação RS, na Capital. Procurada para comentar sobre o estado de conservação do monumento, a Secretaria Municipal de Cultura (SMC) disse estar avaliando as possibilidades de adesão na busca de recursos em leis de incentivo cultural, para um possível restauro.