Cidades

Estiagem e proliferação de algas esvaziam áreas de pesca em Eldorado do Sul

Tradicional ponto no bairro Sol Nascente não registrou a presença de pescadores na manhã deste sábado

Poluição afasta pescadores do Rio Jacuí no bairro Sol Nascente, em Eldorado do Sul
Poluição afasta pescadores do Rio Jacuí no bairro Sol Nascente, em Eldorado do Sul Foto : Camila Cunha

A estiagem deixa a mostra bancos de areia e raízes de árvores outrora submersos no Rio Jacuí. Na manhã deste sábado, apesar de uma ligeira elevação nos níveis do curso d’água que deságua no Guaíba, os efeitos da crise hídrica eram perceptíveis em Eldorado do Sul. O excesso de algas e o lixo encalhado nas margens também estavam entre os sintomas visíveis da seca na Região Metropolitana.

O bairro Sol Nascente exemplificava a situação. Ali, uma conhecida área de pesca exibe placas com os dizeres “está nervoso? vá pescar”. Também há setas de madeira que indicam o caminho da margem do Jacuí.

A expectativa era contrariada pela ausência de público. Não havia ninguém no local, à exceção de algumas pássaros que, sem sucesso, tentavam capturar algum peixe.

Marcelo Viana Ávila, de 60 anos, vive às margens do Jacuí. Ele trabalha em uma oficina de veículos que montou na garagem de casa. O homem explica que a peregrinação de pescadores ao local tinha fluxo constante, porém, o assoreamento do rio afugentou o movimento.

De acordo com o morador, o calor em excesso faz com que algas podres flutuem e infestem as águas. Isso também dificulta a presença de espécies, que acabam se deslocando rumo às profundezas. O afastamento de peixes da margem dificulta o acesso dos pescadores e aumenta os custos da atividade.

Em um lapso de otimismo, Marcelo Viana pondera que a água potável está quase sem gosto e já perde a coloração esverdeada. A esperança dele é que a fraca correnteza do Jacuí no bairro Sol Nascente, ao lado das chuvas, ajude a diminuir o excesso de algas.

"Há três semanas, era impossível tomar água, que tinha ficava com a cor verde das algas e tinha gosto podre. Isso melhorou. Quase não há mais gosto, cor ou cheiro. No entanto, permanecem as dificuldades para a pesca”, avalia o morador.

A proliferação de algas também é visível na margem, onde a área assume um tom esverdeado. Como se não bastasse isso, os entulhos também acabam ficando encalhados e formam se acumulam em montes de lixo.

O motorista Gilmar Ayres tem 57 anos, e mora no bairro há quase 25. Assustado com a poluição, ele afirma ter receio de consumir o alimento fruto da pesca no Jacuí.

"Não me arrisco a ingerir os pescados. Além do acumulo de lixo na água, também não sabemos o quanto de poluição as algas absorveram. Digo isso porque há espécies que consomem as algas. Na dúvida, prefiro consumir outras alimentos”, ponderou.