Com o objetivo de ajudar as pessoas que tiveram suas casas atingidas pelas enchentes de maio em Pelotas, estudantes da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), do curso de Edificações do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia Sul rio-grandense (IFSUL) e a Universidade Católica de Pelotas (UCPel).
A professora da UFPEL, Natália Santos Petry, que trabalha na iniciativa com a também professora da universidade, Luísa de Azevedo dos Santos, conta que na Faculdade de Arquitetura foi criado há algum tempo o escritório João de Bem, que trabalha em prol da comunidade no entorno da instituição. “Em função das enchentes veio a ideia de uma ação do Escritório Modelo de Arquitetura e Urbanismo (EMAU) por meio da parceria com as outras instituições”, relata.
O grupo vem fazendo diagnósticos, por meio de entrevistas nas áreas como Doquinhas( Quadrado) e Barra. "A iniciativa visa identificar os problemas de estrutura urbana da população atingida direta ou indiretamente pela enchente em função da situação dos locais, se é problema recorrente da comunidade", explica.
Em torno de 20 alunos da UFPEL trabalham de forma voluntária realizando o levantamento dos dados, por meio de entrevistas. "Eles batem em todas as casas falando com os moradores", completa Luísa. Ela estima que em torno de 80 famílias morem na região das Doquinhas. O trabalho já chegou na metade. A estimativa das professoras é começar a atuar com a ocupação das Doquinhas, ( em torno de 50 famílias estimadas) a partir de setembro. "Após iremos analisar os dados, ver o que mais se repete nas unidades como problemas estruturais, elétrico ou hidráulico, ou danos em mobiliários, por exemplo iremos encaminhar para projetos e recomendações para melhorias", completa. Os sete professores entre as universidades e o instituto atuam diretamente com os alunos. Os questionários começaram a ser aplicados em julho. As entrevistas com os moradores têm duração de aproximadamente 20 minutos, quando eles respondem pouco mais de 30 questões. "O cronograma varia o número de alunos e também em relação a previsão do tempo", observa Natália
Rede HIS
A articulação entre as instituições foi chamada de Rede de Habitação de Interesse Social (Rede HIS). No IFSUL são quatro estudantes bolsistas e um voluntário que trabalham na iniciativa na Comunidade de Pescadores da Barra, no Laranjal, onde moram em torno de 70 famílias. "O IFSUL tem um escritório modelo de edificações e a UCPEL tem um projeto de extensão que trabalha com habitação social, então nos reunimos para atender a comunidade", destaca a professora do IFSUL, Juliana Plá. Além dos alunos do curso de Edificações, estudantes do curso de Designer também auxiliam na fase das oficinas. "No IFSul tivemos a primeira fase com oficinas de capacitação para a comunidade, onde puderam aprender a fazer mobiliários com paletes, instalação elétrica e outros reparos rápidos. As oficinas seguem, mas agora estamos também na segunda fase, que são as entrevistas com o levantamento do que as pessoas precisam", afirma.
A ideia é que a pesquisa ajude a enxergar de forma clara o problema e tentar auxiliar na solução. Na UCPEL são 15 os alunos envolvidos com o programa de extensão sustentabilidade no habitat social. Os estudantes trabalham junto com os da UFPEL na região das Doquinhas. "É um retorno para a comunidade. Fizemos o levantamento e encaminhamos a Prefeitura por meio da extensão, onde também educamos os alunos na responsabilidade social que a profissão de arquiteto e urbanista tem com todas as pessoas, independente de classe", finaliza o professor da UCPEL, Alexandre Maciel.