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Eventos climáticos extremos é tema de Seminário na Furg

A iniciativa do Corpo de Bombeiros em parceria com a universidade ocorre entre quarta e quinta-feira no Campus Carreiros

Um  dos objetivos do encontro é projetar os possíveis efeitos do fenômeno La Niña
Um dos objetivos do encontro é projetar os possíveis efeitos do fenômeno La Niña Foto : Angélica Silveira/Especial/CP

O Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Sul e a Universidade de Federal do Rio Grande (FURG) promovem o primeiro Seminário sobre os impactos de Eventos Extremos nas cidades às margens da Lagoa dos Patos. O evento começou na manhã desta quarta-feira com a palestra da meteorologista da sala de situação do Governo do Estado, Cátia Valente. Ela participou de forma remota e falou sobre os aspectos meteorológicos, diagnósticos para formar os modelos mais adequados. Cátia contou o início da Sala de Situação do Estado que começou a operar em janeiro de 2016.

“Realizamos boletins diários, também temos boletins semanais hidrológicos, A Defesa Civil do Estado recebe o aviso e depois realiza reuniões de acompanhamento contínuo. Recebemos todos os modelos de previsão e usamos inteligência artificial para escolher o melhor do momento”, explica.

Ela também lembrou o trabalho realizado durante a enchente histórica de maio. “Tivemos grandes aprendizados com os últimos eventos climáticos no Estado. Entre os anos de 2023 e 2024 tivemos ventos de forte intensidade, frente fria estacionária, águas mais quentes, por exemplo. Avisamos dia 25 de abril deste ano que algo iria ocorrer até 22 de maio”, lembra. Entre 25 de abril e 27 de maio a sala de situação enviou oito avisos e algumas atualizações. Foram 175 alertas enviados por mensagem de texto. O primeiro aviso foi em 25 de abril sobre áreas de alerta onde possivelmente haveria inundações. O primeiro alerta foi realizado no dia seguinte e o governador Eduardo Leite realizou a primeira transmissão pela internet avisando que a situação iria piorar no dia 28. “Quando sabemos que isto ocorre vamos ao governo. Entre 27 de abril e 27 de maio foram registrados mais de mil milímetros de chuva em algumas regiões e o Governo segue trabalhando com resiliência”, destaca.

Comandante do 3º Batalhão do Corpo de Bombeiros Militar do Estado, Tenente Coronel Selenir Abreu da Rosa comanda 16 municípios do sul do Estado, muitos localizados no entorno da Lagoa dos Patos e também o Canal São Gonçalo. “Tendo em vista os eventos climáticos que ocorreram, buscamos o apoio no conhecimento científico das universidades para alicerçar na tomada de decisões. A Furg, por meio do reitor Danilo Giroldo, nos apoiou em vários momentos no evento extremo. Outros professores da universidade também nos auxiliaram de forma multidisciplinar com a Universidade Federal de Pelotas”, enfatiza.

Ela afirma que um dos objetivos do Seminário é projetar o que os efeitos do fenômeno La Niña podem causar. “Acho que toda a sociedade está interessada. Durante as cheias os professores estavam nas ruas conosco, transitando de uma cidade a outra, conferindo diques, então é um evento para unir mais ainda com a universidade. A integração ocorre mais queremos buscar mais dados para contribuir com que o Estado se fortaleça para que possa auxiliar a enfrentar os efeitos do La Niña”, observa.

Selenir destaca que como as universidades previa o El Niño, então é necessário que antecipem os efeitos no fenômeno La Niña para que possam ser realizadas atividades de prevenção e minimizar os riscos de desastres em relação a Lagoa dos Patos.

O projeto do Corpo de Bombeiros foi criado para ser desenvolvido também em outras duas etapas. “A primeira em relação a Lagoa dos Patos escolhemos Rio Grande que foi um dos locais mais impactados pela água que desce das outras bacias”, justifica. Para ela, a população da cidade é resiliente pelas universidades serem assertivas em não emitir alertas desnecessários e não minimizar quando pode haver risco de desastre. “Colocamos no projeto a mesma possibilidade de integração com universidades de Porto Alegre e Região Metropolitana realizando um segundo evento na capital com os mesmos objetivos e posteriormente um terceiro seminário envolvendo Serra e Vale do Taquari”, relata.

Para o Comandante Geral do Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Sul, Eduardo Estevam é provada a necessidade de ações de prevenção e preparação para aumentar a resiliência do Estado. “Eventos como este integram a universidade, bombeiros, forças públicas se transformam em ações concretas com o amadurecimento do tema em benefício da mitigação dos riscos em eventos climáticos”, destaca.

Ele acredita que este tipo de reunião é necessária para estabelecer discussões em relação às ações necessárias para a proximidade dos bombeiros, academia e sociedade.

Outra palestra realizada pela manhã foi do Professor George Marino Soares Gonçalves. Ele é integrante da Agência da Lagoa Mirim e falou sobre ações para o desenvolvimento das bacias hidrográficas. “No monitoramento vimos a magnitude e a direção do Canal São Gonçalo. Fomos a campo para ver o nível das réguas e temos quatro dados para falar de nível. Acredito que a grande lição que este evento extremo trouxe é que ainda está faltando interlocução de todos os interessados”, opina Para ele o monitoramento além de continuo tinha que ser qualitativo pois foi uma catástrofe ambiental.”Podemos pensar que estes eventos podem ocorrer de forma intensa”, comenta.

A professora Elisa Fernandes, da FURG abordou o Grupo de Modelagem de Dinâmica Costeira da universidade. “Desde a criação já se olhava os aspectos das mudanças climáticas. Tínhamos segurança em relação à robustez das ferramentas . Quando a tragédia ocorreu, o comitê da FURG que foi instalado no ano passado foi chamado a contribuir . A colaboração entre as instituições foi fundamental”, destaca. O grupo realizou 16 simulações. “Fazíamos as projeções a cada cinco dias quando recebíamos nova previsão de vento. Em Rio Grande o erro médio era de 13 centímetros, em Pelotas 11cm, O domínio do modelo utilizado abrange toda a Lagoa dos Patos. Todas as informações eram publicadas na página da universidade”, lembra.

Os sistemas funcionaram a pleno e o Comitê de Eventos Extremos produziu 24 boletins no período. ‘Fomos chamados para contribuir em diferentes grupos. A lição que fica é que a união entre as instituições foi fundamental, mas precisamos de mais cientistas, técnicos, especialistas, enfim expandir a rede de monitoramento”, relata.

No final da manhã, o professor também da FURG, Glauber Gonçalves disse que só se consegue integrar se todos estiverem usando o mesmo referencial. “Comparado com a enchente de 1941 as duas manchas são praticamente iguais e o sistema hidráulico funcionou”, concluiu. Os professores Cesar Bastos e Diego Fagundes, também da FURG, apresentaram um estudo de um sistema de proteção contra as cheias para a península urbana de Rio Grande. “É um estudo conceitual preliminar na busca de recursos federais no tema de proteção contra as cheias. A cidade não dispõe de um sistema de proteção. O projeto deve reunir uma equipe multidisciplinar. Rio Grande foi ocupada em áreas alagadiças, A ação fala em relação às pessoas em áreas ribeirinhas”, comenta Bastos. Para Fagundes a sugestão seria construção de um sistema com aterro compactado. A estimativa de custo para e execução de toda a orla seria de em torno de R$ 1.5 bilhão. “Talvez não consiga todo o dinheiro de uma vez”, admite. O seminário segue discutindo sobre como prevenir eventos extremos nesta quinta-feira a partir das 9h.