Cidades

Ex-estudantes perseguidos pela ditadura compartilham relatos em audiência pública da Comissão da Verdade da UFRGS

Evento ocorre nesta sexta-feira, dia do aniversário de 91 anos da universidade

A Comissão da Verdade e da Memória da UFRGS Enrique Serra Padrós realiza sua primeira audiência pública
A Comissão da Verdade e da Memória da UFRGS Enrique Serra Padrós realiza sua primeira audiência pública Foto : Camila Cunha

Criada há cerca de um ano, a Comissão de Memória e da Verdade da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Enrique Serra Padrós, realizou sua primeira audiência pública nesta sexta-feira, dia do aniversário de 91 anos da universidade. O encontro ocorreu no Salão de Atos da UFRGS, em Porto Alegre.

Três ex-estudantes foram convidados para relatarem as perseguições políticas sofridas durante o período da ditadura militar no Brasil, na década de 1960. Dilza de Santi, João Ernesto Maraschin e Henrique Finco, que viveram diretamente estes momentos durante seu período da universidade, participaram de um debate com atuais alunos, representantes da reitoria e autoridades em geral.

"Foram tempos bem difíceis, porque havia acabado de acontecer o golpe cívico-militar e existia repressão forte aos movimentos estudantis. Com o tempo, esta história vai sendo esquecida. Porém, a luta para diminuir as diferenças sociais pela democracia é permanente. O autoritarismo ressurge com força em determinados momentos da história da humanidade. Então, é importante que os estudantes conheçam a História, aprendam com ela e saibam que lutar pela democracia é importante no desenvolvimento de um país", disse Dilza.

Ela foi vice-presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFRGS entre 1967 e 1968, quando recebeu punição e teve que se retirar da universidade, além de precisar sair do Rio Grande do Sul mais tarde. O vice-reitor da UFRGS, Pedro Costa, disse que não apenas o evento, mas a comissão como um todo, representam um trabalho rico de resgate da memória e da justiça.

"A comissão produz elementos que, no futuro, servirão para pesquisas, debates e para o próprio resgate da memória do que foi este período (da ditadura), para que a gente consiga ajudar a consolidar a democracia no Brasil", comentou ele. A presidente da Comissão, Roberta Baggio, acrescentou que o grupo trabalha com duas frentes. O primeiro é a pesquisa documental e o outro, de testemunhos de quem viveu o período da repressão.

"Os testemunhos servem para fazermos o registro oral das pessoas que passaram por estes momentos de perseguição dentro da universidade. Com isso, desembocamos neste evento, que, esperamos, seja um espaço de desbloqueio da democracia, uma possibilidade de encontro geracional. É a primeira audiência de outras que virão; queremos fazer uma inclusive com os professores, técnicos também perseguidos", disse ela. A coleta de documentos também segue em andamento. Eles estão sendo mapeados, serão digitalizados e guardados no acervo da UFRGS.

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