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Excesso de placas de aluguel e venda chama a atenção para êxodo de moradores na zona Sul de Porto Alegre

Habitantes atuais dizem que área foi deixada de lado por muitos após as enchentes de 2024

Muitas placas de casas à venda ou para alugar são vistas nas ruas dos bairros da Zona Sul de Porto Alegre
Muitas placas de casas à venda ou para alugar são vistas nas ruas dos bairros da Zona Sul de Porto Alegre Foto : Camila Cunha

A zona Sul de Porto Alegre foi um dos territórios mais conflagrados pelas enchentes de 2024, com inundações atingindo bairros inteiros. Áreas como Guarujá e Ipanema, entre outras, até hoje não se recuperaram completamente dos estragos, em que pese os investimentos da Prefeitura para a recuperação da orla, por exemplo. Mas um dos maiores legados das inundações foi o êxodo de antigos moradores para outros locais, deixando Porto Alegre. Há quem, de fato, resista à mudança, embora não seja preciso circular muito e constatar um expressivo número de placas de aluguel e venda de residências, algumas delas com várias.

De acordo com o Sindicato da Habitação do RS (Secovi/RS-Agademi), pouco antes das históricas inundações, em abril de 2024, o preço médio do metro quadrado residencial no Guarujá era de R$ 3.722,52, porém um ano depois, em abril de 2025, estava em R$ 3.682,76, e no mesmo mês de 2026, R$ 3.587,88. O sindicato, contudo, adverte que os valores refletem uma consequência do recorte dos imóveis disponíveis nestes momentos; ou seja, se imóveis mais caros entrarem juntos em um mesmo período, o preço naturalmente sobe, assim como cai com a entrada de residências mais baratas.

O número de imóveis disponíveis para locação e compra se manteve relativamente estável, no entanto, tanto no Guarujá, como em Ipanema e na Tristeza, quando comparados os meses e abril de cada ano, desde 2023. De qualquer maneira, o El Niño intenso previsto para o segundo semestre deste ano é mais um fator de preocupação, conforme os habitantes locais. “O pessoal ficou com medo”, resume o autônomo Hugo Luis, que disse morar há 50 anos na região. “Tem gente que, quando chove, vai para a praia, onde tem fazendas, casas”.

Ele contou que a área tornou-se local de invasões logo depois das enchentes. “Invadiram e deixaram televisões em cima das árvores, porque não tinham como levar. Então muitos moradores acabaram contratando vigilância em barcos. E a reconstrução, hoje em dia, é complicada. O preço das casas baixou, mas ninguém quer comprar. Todo mundo tem medo da enchente de novo. Um monte de gente abandonou”. Entre os que optaram por ficar, a maioria é de pessoas cujas casas não foram afetadas pelas cheias de dois anos atrás.

O diretor-presidente do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), Vicente Perrone, disse que está “muito próxima” a contratação de um projeto de drenagem, primeiramente para os bairros Guarujá e Serraria, mais baixos e urbanizados, e que está em definição o modelo de proteção de cheias para a zona Sul, que hoje não a possui.

Possíveis soluções

“São dois sistemas separados, mas que em conjunto solucionam os dois problemas, de drenagem e proteção de cheias”, afirmou Perrone. A intenção é buscar financiamentos internacionais e recursos federais para pôr em marcha os projetos. Ao menos o da proteção de cheias “com certeza absolutíssima não vai ser neste ano”, salientou o diretor-presidente do Dmae.

O anteprojeto deve ser orçado e contratado no segundo semestre do ano. Antes disto, na última terça-feira, a Prefeitura apresentou a lideranças comunitárias do Guarujá os primeiros estudos de concepção para a criação de um sistema de proteção contra cheias na região, prevendo investimentos de R$ 300 milhões.

As alternativas propostas incluem a construção de um muro, a elevação da avenida Guaíba ou da Praça Zeno Simon, com maior probabilidade de ser esta última, diz o Dmae. Caso ocorram novas cheias antes da conclusão do projeto, um plano de contingência prevê barreiras móveis para conter o avanço das águas do Guaíba, além do bloqueio temporário da ligação dos arroios com o manancial e bombas móveis para o escoamento da água da chuva.

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