Cidades

Excesso de placas de aluguel em lojas impressiona no entorno do bairro São João, em Porto Alegre

Secovi-RS/Agademi afirma que oferta é menor agora do que antes das enchentes, mas número de imóveis disponíveis na área ainda é alto

Muitos pontos comerciais, em especial revendas de veículos, estão vazios nas avenidas Ceará e Souza Reis meses após a enchente que atingiu a região
Muitos pontos comerciais, em especial revendas de veículos, estão vazios nas avenidas Ceará e Souza Reis meses após a enchente que atingiu a região Foto : Camila Cunha

Na Zona Norte de Porto Alegre, as placas de aluguel existem em profusão em avenidas como a Ceará e a Souza Reis, importantes pontos de tráfego diário, por conduzir à entrada e saída da Capital na direção da Região Metropolitana. Após as enchentes de maio, o local, duramente atingido pela água, já apresenta uma recuperação, porém a quantidade elevada destas indicações mostra que o abandono é visível também neste lugar.

Nestas ruas e no entorno, paredes ainda apresentam marcas da água, demonstrando que o fato levará tempo para sair da memória dos moradores e comerciantes locais. Nesta região, há muitos estabelecimentos relacionados ao segmento automotivo e serviços, a exemplo de centros de reparos, revendas, postos de combustíveis, entre outros. No caso das concessionárias, algumas estão fechadas, não reabrindo mais depois da enchente de maio, causando preocupação sobre a recuperação destes lugares.

O Sindicato da Habitação do RS (Secovi/RS), que fez um levantamento a pedido do Correio do Povo, afirma que, em setembro deste ano, havia 1.016 imóveis disponíveis para locação na soma dos bairros Farrapos, Floresta, Navegantes, São Geraldo e São João, com maior número no Floresta, com 447. Já em abril, antes das enchentes, havia 1.111, dos quais 503 eram no Floresta. No São João, eram 212 imóveis em setembro e 224 em abril.

“Essa queda pode ser por locação do imóvel ou também pela retirada da carteira para reforma, já que a enchente prejudicou muito e exigiu muitos reparos”, diz a economista-chefe do Secovi/RS-Agademi, Lucineli Martins. “No entanto, cabe considerar que embora tenha tido redução, a quantidade de imóveis comerciais disponíveis para locação ainda é bastante alta”, acrescenta. Já em setembro de 2023, havia 1.107 imóveis, sendo 495 no Floresta e 239 no São João.

O preço médio do metro quadrado para a locação não teve grandes oscilações, ainda segundo o levantamento exclusivo. Em setembro de 2024, o valor do m² de loja no São João, onde estão localizados a Souza Reis e a Ceará, era de R$ 34,90, R$ 29,46 na sala/conjunto e R$ 16,93 no pavilhão/depósito, ou seja, apenas imóveis comerciais. Em abril deste ano, os valores eram, respectivamente, de R$ 32,41, R$ 25,26 e R$ 17,43. Em setembro de 2023, R$ 32,20, R$ 26,50 e R$ 17,23, também respectivamente.

Também segundo a pesquisa do Secovi/RS-Agademi, as lojas comerciais no Floresta tiveram queda de preço de 0,35% na comparação entre setembro de 2023 e o mesmo mês de 2024. No comparativo de abril e setembro deste ano, estes imóveis especificados reduziram o preço em 13,7%. Já em salas e conjuntos, entre o nono mês de 2023 o mesmo período de 2024, tiveram a maior redução no São Geraldo (-18,64%), e o maior aumento no São João (11,17%).

No Navegantes, houve a maior queda de preços do metro quadrado deste segmento entre abril e setembro de 2024 (-23,52%), seguido do São Geraldo (-19,52%). Entre pavilhões e depósitos, o maior decréscimo foi no Floresta (-16,02%), entre setembro de 2023 e de 2024. O bairro Navegantes foi o único com aumento no preço médio do metro quadrado, com 1,82% de acréscimo entre setembro de 2023 e setembro de 2024, e 4,17% entre abril e setembro deste ano. O Farrapos não foi considerado no levantamento do preço médio por apresentar menos de dez unidades totais.

Concessionários dizem que mercado na região está aquecido

O Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do RS (Sincodiv-RS/Fenabrave) afirma que quase 100% das concessionárias do 4º Distrito de Porto Alegre já estão operando novamente. Nas enchentes, cerca de 50 estabelecimentos foram inundados na região. “O 4º Distrito é um polo estratégico para a Distribuição de Veículos na capital gaúcha, abrigando praticamente todas as marcas”, disse o presidente da entidade, Jefferson Fürstenau.

Apesar dos danos iniciais, o Sincodiv-RS/Fenabrave diz que o mercado vem apresentando resultados positivos. Entre janeiro e setembro deste ano, foram comercializadas na Capital 26 mil unidades, um aumento de 19,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando houve 22 mil vendas, crescimento este, conforme a entidade, impulsionado pela rápida resposta das seguradoras, que viabilizou a retomada das operações com maior agilidade.