A queda do avião, modelo Lockheed Constellation, em 28 de julho de 1950, no Morro das Cabras, em Sapucaia do Sul, que matou 44 passageiros e sete tripulantes, causando uma série de impactos na aviação comercial e outras tantas repercussões na identidade da cidade, que na época, fazia parte do distrito de São Leopoldo, está representada através de uma exposição infográfica no Museu Histórico de Sapucaia, junto ao auditório da Escola Vanessa Ceconet.
A mostra "Os 75 Anos da Queda do Constellation da Panair do Brasil em Sapucaia do Sul" resgata a memória do acidente, relembrando um dos episódios mais marcantes da história da aviação no país. A pesquisa feita pela técnica cultural do Museu, Ana Cristina Camargo, durou um pouco mais de dois anos e meio até ser finalizada. Segundo ela, grande parte do que está exposto foi baseado no relatório da Aeronáutica.
"Era um ano de Copa do Mundo, 1950, o ano em que o Brasil perdeu. Muitos dos passageiros que estavam no avião estavam no Rio de Janeiro para assistir o futebol. Estavam voltando dos jogos da Copa. O avião fabricado nos Estados Unidos pousaria na Base Aérea de Gravataí, que hoje seria a Base Aérea de Canoas, local que recebiam aviões maiores. Naquela época, os aviões eram guiados por sinais de rádio", conta Ana Cristina.
Ela lembra que naquele dia os passageiros foram avisados que o avião decolaria mais tarde devido às condições meteorológicas, pois tinha cerração, uma frente fria e muita neblina. "Era para a aeronave ter decolado às 9 horas, mas só foi sair do aeroporto de Galeão, no Rio, às 15 horas, com previsão de chegada às 18h40." Segundo a documentação e os dados históricos apurados pela técnica cultural, o piloto era da reserva naval, muito experiente e altamente credenciado.
Diante do mau tempo e nevoeiro, o avião teve que arremeter por mais de uma vez. No meio da escuridão, o acidente foi registrado às 19h25, quando bateu na ponta no Morro das Cabras, resultando numa grande explosão. O secretário de Cultura do Município, Gervásio Santana, explica que chegou a conversar com uma das testemunhas oculares do acidente que hoje já não está mais aqui. "Valdemar Prass, cuja família morava na área rural, contou que quando ele era menino entre 10 e 12 anos, naquela data, no final da tarde ouviu um ronco muito forte e o avião vinha voando baixo. De repente ouviu o estrondo e um clarão, que foi quando o avião explodiu.
SOCORRO FOI DIFÍCIL EM RAZÃO DO MAU TEMPO
Santana lembra que naquele tempo, as estradas não eram boas e o tempo chuvoso e úmido de julho impediam os veículos do Exército de subir até o Morro. "O socorro não conseguia chegar. O pai do Valdemar e outros moradores da área rural pegaram carros de boi a pedido do Exército Brasileiro e conseguiram puxar os veículos militares. Esse episódio marcou a história da nossa cidade."
A intenção da prefeitura, conforme explica o secretário de Cultura, é que estas informações históricas possam chegar às pessoas da forma autêntica como elas aconteceram. "E esta pesquisa ela traz elementos, imagens, infográficos, informações, capas de jornais e reportagens para que possamos entregar hoje para a cidade de Sapucaia e para a região um fato que as pessoas ou não conhecem ou tinham informações desencontradas."
A exposição está aberta ao público de segunda a sexta-feira, das 8h às 16 horas e seguirá até o dia 19 de agosto. O Museu fica na avenida João Pereira de Vargas, nº 2843, no bairro Nova Sapucaia.
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