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Fórum Democrático discute sustentabilidade em Rio Grande

O Seminário foi o primeiro realizado no interior e teve como tema o Pacto RS25

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Pepe Vargas foi uma das autoridades que participou do encontro que lotou o auditório da Receita Federal
O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Pepe Vargas foi uma das autoridades que participou do encontro que lotou o auditório da Receita Federal Foto : Lauro Alves/ Assembleia Legislativa/CP

O primeiro seminário do Fórum Democrático de Desenvolvimento Regional (FDDR) no interior do Estado ocorreu nesta segunda-feira, em Rio Grande, no Sul do Estado. RS. A cidade integra a Região Funcional 1 Sul e o encontro reuniu especialistas, lideranças empresariais, políticas e a comunidade que lotou o auditório da Receita Federal. O debate teve como tema o Pacto RS 25: o crescimento sustentável é agora.

O evento foi aberto com o grupo cultural Nosso Choro. Após a solenidade de abertura, ocorreram os painéé temáticos. Para a tarde está prevista a apresentação do Plano Estratégico de Desenvolvimento do COREDE da região e dos grupos de discussão receberam as sugestões da comunidade para a proposta de Carta Regional Sul de Desenvolvimento Sustentável.

Entre as autoridades que se manifestaram estava o delegado da Receita Federal em Rio Grande, Cristiano Demboski. Ele falou sobre o serviço de transformar produtos apreendidos em artigos com novas utilidades. O deputado Zé Nunes mencionou as questões relacionadas ao crescimento com sustentabilidade no estado. "A produção de alimentos no RS caiu ou estagnou na última década". destaca. O deputado Halley Lino lembrou da necessidade da discussão sobre os temas do hidrogênio verde, das alternativas à monocultura, do uso de agrotóxicos e da implantação de um porto na metade Norte do estado, além do diálogo entre a academia e as comunidades.

O deputado federal Alexandre Lindemeyer citou a proposta de instalação do porto em Arroio do Sal, no Litoral, e a tramitação de um novo terminal de uso privado em área de ambiente sensível. Em contrapartida, salientou ele, Rio Grande tem o quarto maior porto do país em operações e de carga para Buenos Aires e Montevidéu, mas que precisa de apoio para os custos de logística. A prefeita de Rio Grande Darlene Pereira ressaltou que a cidade é uma terra sensível, que recebe todas as águas do estado. "Por isso, precisamos pensar num legado geracional para que garanta a possibilidade de um planeta viável para todos", disse.

A mesa com os conferencistas teve início com o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Pepe Vargas . Para ele , a discussão com a sociedade gaúcha busca encontrar as prioridades regionais na construção de novos sistemas produtivos, que sejam viáveis economicamente e justos para o meio ambiente. O deputado lembra que já ultrapassamos a temperatura média do planeta e os cientistas não sabem se será possível recuperar os patamares anteriores. "Acreditávamos que os eventos climáticos extremos chegariam mais tarde. Financeiramente, é preciso considerar que o RS vem perdendo participação relativa na economia nacional e, na última década, e perdeu o mecanismo público de pensar o desenvolvimento estratégico, recentemente retomado", observou.

O presidente do Legislativo destacou que o RS poderá aderir ao programa de pagamento das dívidas dos estados, que deverá reduzir os juros da dívida pública e garantir um fôlego fiscal. Para ele não se pode voltar a crescer sem levar em conta a transição energética com transformação ecológica e os sistemas produtivos têm de ter metas para reduzir o efeito estufa. "Não adianta investir em irrigação, é preciso ter manejo do solo e temos grande capacidade para produção e transmissão de energia eólica. Para esses desafios, precisamos dialogar com os programas estaduais e federais", assinalou.

Painéis

Após a abertura oficial começaram os painé,É. O primeiro voltado a Cultura e Mudanças Climáticas começou com o pró-reitor de Extensão e Cultura da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Fábio Garcia Lima, com o tema Equidade e equilíbrio, o novo mundo que precisamos não é novo. Ele lembrou a importância da ancestralidade para a construção de projetos futuros com equidade, equilíbrio e desenvolvimento do território, respeitando as características de cada região. "A extensão universitária precisa ter participação popular e economia solidária. E a vocação da Zona Sul é a agricultura familiar" lembrou. Para ele é importante se considerar na elaboração de propostas os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODS) .

Na sequências, os temas tratados foram as alterações climáticas e seus efeitos na região sul do RS, o impacto das mudanças climáticas nas comunidades e as contribuições da universidade para desenvolvimento sustentável, inovação, quando o chefe geral da Embrapa Clima Temperado, Waldyr Stumpf Jr, abordou o programa Recupera RS, mencionando a falta de estrutura para pesquisas, especialmente, nas áreas de agropecuária, fundamental para a economia do estado. Ele destacou ainda que as enchentes de 2024, afetaram a relação de pertencimento das famílias desalojadas de suas casas, questão social cujos efeitos irão perdurar por décadas. Oportunidades no campo a partir da jornada de descarbonização da Refinaria Riograndense foi a abordagem do gerente de novos negócios da Refinaria de Petróleo Riograndense, João Luís Sombreiro Bulla, que lembrou o pioneirismo da instituição na produção nacional de combustível . Ele também antecipou o objetivo de se tornar a primeira biorefinaria do Brasil e mencionou a construção de uma planta para produção de combustíveis de aviação (querosene sustentável) ou diesel verde, dentro da planta industrial da refinaria, um dos maiores investimentos para o estado, com previsão para 2028. Esse projeto tem a previsão de demanda de 800 mil toneladas de óleo por ano.

Por fim ocorreu a cultura foi o tema central da discussão , quando a coordenadora do Núcleo de Produção Audiovisual Oficine e professora de Artes do IFRS campus Rio Grande, Raquel Ferreira, que tratou sobre a relevância do audiovisual como motor de desenvolvimento econômico. Ainda sobre o segmento, Alexandre Mattos Meireles, integrante do coletivo Macumba Lab e co-fundador das produtoras Moviola Filmes e Mundo Atlântico Filmes, abordou o audiovisual como motor de desenvolvimento econômico. O próximo seminário do Fórum Democrático deve ocorrer no próximo dia 9, em Bagé, na Campanha.

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