O auditório da Corsan, no Centro Histórico de Porto Alegre, sediou, na manhã desta quinta-feira, a 10ª Reunião Ordinária do Fórum Gaúcho de Mudanças Climáticas (FGMC), com a participação de agentes governamentais e da iniciativa privada, com foco na mitigação de efeitos causados pelo aquecimento global no Rio Grande do Sul e iniciativas para redução das emissões de gases causadores do efeito estufa. O fórum, instituído pela primeira vez no RS em 2022, também serviu como reunião pré-COP 30, a Conferência do Clima das Nações Unidas, que ocorre em Belém, no Pará, em novembro, porém estão previstas mais duas até lá, nos meses de julho e outubro.
“Entendemos que a pauta das mudanças climáticas não é apenas da Secretaria do Meio Ambiente, mas é geral. Temos o setor produtivo, do saneamento, além de entes de várias secretarias que participam, além dos municípios, por meio da Famurs, que se interessam pelo assunto. Ele é um ambiente onde debatemos as ações que nossa Assessoria do Clima está promovendo”, comentou a secretária estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), Marjorie Kauffmann.
De acordo com ela, a contratação do ICLEI, consultoria que inspecionou a legislação e a governança climática estaduais, foi um ponto que fez “nascer bons frutos”, além da realização do inventário de gases do efeito estufa, cuja finalização deve ocorrer ainda neste ano. “É importante frisar que este trabalho não iniciou nas enchentes, mas antes disto, já pensando em como o Estado se posiciona frente à questão”, pontuou.
O documento pretende mapear atividades poluidoras e o estado da agricultura de baixo carbono no RS, por exemplo. O diretor do Iclei no Brasil, Rodrigo Corradi, disse que o Rio Grande do Sul foi o território mais atingido de maneira patrimonial pelos impactos das mudanças climáticas nos últimos 25 anos no Brasil, e, seguramente, um dos territórios globais mais afetados no período, acrescentou.
“O fórum é um espaço para que esta governança climática seja cada vez mais reativa e propositiva na construção de soluções. Estamos, desde o ano passado, trabalhando naquilo que chamamos de conformidade climática, ou seja, ferramentas de planejamento para juntar as experiências e aquilo que se tem como diagnóstico no Estado e podermos ter ações de um planejamento climático efetivo e conjugado com a realidade. Não estaremos resolvendo a situação climática nos próximos dez ou 15 anos”, salientou ele. Corradi comentou ainda que a consultoria não pretendia trazer dados numéricos para o evento, apenas um diagnóstico prévio baseado em características geográficas do Rio Grande do Sul, a exemplo de mapas.