Apontada como a mais antiga federação esportiva do Brasil, a Federação de Remo do Rio Grande do Sul (Remosul) manifestou preocupação com a proposta do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) para fechar permanentemente oito comportas do Sistema de Proteção Contra Cheias de Porto Alegre. Além disso, a entidade encaminhou ao órgão um pedido para participar das discussões sore o assunto.
Isto porque o Parque Náutico Alberto Bins, onde fica sede da entidade e de cinco clubes de remo da Capital, tem seu acesso majoritariamente pela comporta 14, uma das que podem ser fechadas definitivamente pelo Dmae. O parque náutico também abriga o Comando Ambiental da Brigada Militar. Por isso, o presidente da Remosul, Werner Günther Höher, teme que a medida afaste a população de praticar atividades náuticas, como o remo.
“A gente atuou em resgates no Gasômetro, na zona Norte e no 4º Distrito. Gostaríamos de ser ouvido e colaborar com ideias, mas não nos foi dado abertura para uma reunião ou algum contato para que decisões possam ser tomadas em conjunto. O fechamento não é uma solução. O ideal seria uma manutenção. Senão, pode acontecer algo parecido com 1941 e a construção dos diques, quando os clubes perderam muitos praticantes e Porto Alegre virou as costas para o Guaíba”, lamentou.
Ainda segundo Höher, caso fechada a comporta 14, o acesso principal de toda a região seria pelo portão 12, causando um transtorno no trânsito. “A nossa diretoria tem pessoas que são diretamente ligadas à área da geografia, que fazem estudos sobre o tema. A gente fica muito chateado das decisões sem um mínimo contato prévio com a federação. Na sede, os clubes fazem ações sociais. Tem o batalhão da BM. Se fecharem, tende a complicar todas as ações e o público que pratica o esporte”, completou.
Em nota, o Dmae reforçou que o fechamento permanente de comportas no sistema de proteção contra cheias ainda está na fase de planejamento. “O projeto será construído com diálogo junto a todas as entidades que utilizam a área portuária, para que o reforço tenha o menor impacto possível nas atividades realizadas na região. No caso específico da comporta 14, há, ainda, necessidade da autorização da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (SMMU)”, salientou o órgão.