Cidades

Funcionários do Hospital Getúlio Vargas fazem protesto em Sapucaia do Sul

Trabalhadores suspenderam os serviços por 3 horas em virtude dos atrasos nos salários

A paralisação foi marcada por vigília em frente à instituição de saúde
A paralisação foi marcada por vigília em frente à instituição de saúde Foto : Fernanda Bassôa / Especial / CP
Parte dos 1,2 mil funcionários do Hospital Getúlio Vargas, em Sapucaia do Sul, parou as atividades nesta sexta-feira em protesto em razão de atrasos no pagamento dos salários e ausência da segunda parcela do 13º e remuneração de férias. A paralisação foi programada para ocorrer das 11h às 14h e foi marcada por vigília em frente à instituição de saúde com faixas e distribuição de material explicativo para a população.

O presidente do SindiSaúde do Vale do Sinos, Andrei Rex, explica que funcionários, fornecedores e prestadores de serviços não estão sendo pagos há mais de 90 dias. “A situação está se agravando. Estão faltando insumos e materiais básicos, como seringas de diferentes tamanhos. A população está exposta e desassistida", afirma Rex, destacando que o Getúlio Vargas é um hospital referência, atendendo também moradores de São Leopoldo e Esteio.

O diretor administrativo e financeiro da Fundação Hospitalar Getúlio Vargas, Leandro Barcellos, que também é responsável pelo gerenciamento do Hospital de Tramandaí (que parou as atividades por meio turno na quinta-feira), explica que o Estado não efetuou o repasse das competências de outubro, novembro e dezembro de 2017 para Sapucaia do Sul. “Em valores, o montante chega a R$ 12 milhões. Caso o repasse da verba não seja feito com brevidade, a população corre o risco de ter algum serviço suspenso temporariamente no Getúlio Vargas." 

O prefeito de Sapucaia do Sul, Dr. Link, tem buscado soluções junto do governo do Estado, por meio de medidas judiciais e reuniões. Além disso, recursos próprios do município já foram utilizados para quitar a folha dos funcionários. No entanto, é motivo de preocupação que o atraso do governo do Estado prejudique o serviço prestado à população.

SITUAÇÃO NO LITORAL
Sobre a situação de Tramandaí, no Litoral Norte, Leandro Barcellos salienta que há atraso somente da 2ª parcela do 13º. “Houve a liberação de recursos, nesta quinta-feira (11), em razão da nossa ação judicial e já efetuamos o pagamento da parcela para funcionários até o nível superior. Apenas os médicos e as chefias não receberam neste momento.” O diretor não admite desabastecimento de insumos, mas afirma que não há materiais em estoque. O secretário geral do SindiSaúde, Júlio Jesien, que acompanha as mobilizações no Litoral, explica que com o anúncio da liberação do recurso houve suspensão do movimento, inicialmente previsto para durar três dias. Os trabalhadores reivindicam ainda a retomada das negociações pelo acordo coletivo e reposição salarial que não acontece há 3 anos.

Já em Osório, os funcionários do Hospital São Vicente de Paulo também pararam as atividades por 24 horas nesta semana pelo mesmo motivo: atraso de salários e 13º. O gestor do hospital, Milton César Porto Alegre Dias Júnior, disse que com a falta de repasses é difícil manter o hospital de portas abertas, é preciso escolher o que e a quem pagar.

O QUE DIZ O ESTADO
A Secretaria Estadual da Saúde informou que o Hospital Getúlio Vargas, de Sapucaia, tem mandado judicial desde fevereiro de 2016. Em função das dificuldades financeiras do Estado, ficaram em aberto as competências de outubro e novembro de 2017. O total em aberto é de R$ 7,8 milhões e a expectativa é quitar o valor nos próximos dias. Com relação ao Hospital de Osório, está em aberto R$ 1 milhão, referente a quatro meses. Parte desse valor também deve ser paga com brevidade. Com relação a Tramandaí, a secretaria informou que o pagamento está em dia. Ressalta ainda que na quinta-feira houve repasse de R$ 50,6 milhões para o pagamento dos incentivos estaduais aos hospitais. Foram beneficiadas 169 instituições que receberam valores relativas às competências de agosto, setembro e outubro de 2017.