Um grupo de 17 remadores realizou na manhã de sábado (13) uma remada simbólica no Guaíba, em Porto Alegre, em solidariedade à população da Faixa de Gaza. O ato pacífico teve como objetivo chamar a atenção para a necessidade de desbloqueio da entrada de ajuda humanitária no território.
A mobilização foi inspirada pelo Global Sumud Flotilla, missão internacional formada por civis de 44 países — incluindo brasileiros — que navegam em direção a Gaza em defesa de um corredor humanitário por mar. Segundo a ONU, mais de meio milhão de pessoas enfrentam fome e, segundo dados oficiais do Ministério da Saúde de Gaza, mais de 60 mil pessoas morreram desde o início do conflito.
A concentração ocorreu no Comando Ambiental da Brigada Militar, próximo ao vão móvel. De lá, os atletas seguiram em direção à Ilha do oliveira, onde ocorreu um ato por terra, no qual os participantes escreveram “Gaza” com pétalas de rosas brancas, em homenagem às crianças mortas.
A consultora socioambiental Sandra Damiani, uma das organizadoras, explicou que o ato foi pensado como gesto de cidadania. “Foi um ato espontâneo, de quem não suporta mais assistir o que está acontecendo. A fome não pode ser usada como arma de guerra. O nosso foco hoje é realmente pelo restabelecimento desse corredor humanitário”, afirmou.
Segundo Sandra, a inspiração no remo tem também caráter simbólico, já que o corredor humanitário reivindicado pelo Global Sumud Flotilla é marítimo. “Nós somos remadores, mas também escolhemos a água porque a missão internacional está fazendo o mesmo percurso pelo mar. Queremos mostrar solidariedade a esse movimento e reforçar a necessidade de uma solução pacífica para o conflito, além da liberação dos reféns israelenses”, destacou.
Ela acrescentou que, além das faixas, foram levadas rosas e nomes de crianças palestinas vítimas da guerra. “São milhares de crianças mortas. É preciso humanizar isso, mostrar que são vidas, com nome e história”, disse.
O advogado Egon Schunck Júnior, que também participou da ação, ressaltou que a motivação foi humanitária. “A defesa da vida e da paz não é uma pauta de direita ou de esquerda, é uma pauta da humanidade”, afirmou. Ele disse esperar que atos como o realizado no Guaíba possam mobilizar mais pessoas.
Sem vinculação partidária, a iniciativa foi articulada em pouco mais de uma semana por um grupo de amigos e familiares ligados a clubes de canoagem. “Aqui no Rio Grande do Sul também já precisamos de ajuda e ela veio. Imagina se estivéssemos proibidos de recebê-la? É por isso que estamos aqui, para reforçar que a ajuda humanitária tem que chegar”, concluiu Sandra.