O governo do Estado entregou mais 63 casas para famílias afetadas pelas enchentes de 2024 em Eldorado do Sul, na Região Metropolitana de Porto Alegre. As moradias se somam a outras 20 unidades entregues em agosto no loteamento Gardenville. Ao todo, o loteamento conta com 464 unidades habitacionais, a maioria ainda em construção.
Na tarde desta quarta-feira, dezenas de famílias receberam as chaves das novas casas. A alegria era visível no rosto de quem sofreu com as enchentes e ficou sem ter onde morar. A artesã Cleireane Ferreira Moraes, 41 anos, foi a primeira a receber as chaves da nova moradia das mãos do governador Eduardo Leite.
Ao lado do marido, Diones Moraes, 41 anos, e dos filhos, Brenda, 14, e Vitor, 22, Cleireane perdeu tudo na casa onde morava, no bairro Progresso. Depois de passar quatro dias acampada às margens da Estrada do Conde, a família foi para Sapucaia do Sul, onde morou até ser transferida para moradias provisórias em Eldorado do Sul há cerca de um ano.
“É uma emoção muito grande. Fico sem palavras. Por tudo o que a gente já passou e agora conseguindo pegar a chave na mão, ver que é concreto, que a gente pode vir, que a casa tá ali. É muita felicidade”, afirmou.
O loteamento foi a primeira aquisição, pelo governo do Estado, por meio de desapropriação negociada, de um terreno desse porte já dotado de toda a infraestrutura urbana necessária. O Loteamento GardenVille possui uma área de 72,9 mil metros quadrados e foi adquirido pelo Estado por R$ 47,6 milhões. O local comportará, ao todo, 464 unidades habitacionais. O investimento nas 63 moradias soma R$ 9,58 milhões.
Das 63 casas entregues, 55 foram construídas pelo método de steel frame e oito com painéis de concreto. As unidades em steel frame têm 53 m² de área, enquanto as de painéis de concreto contam com 44 m². As moradias têm dois dormitórios, sala e cozinha conjugadas, banheiro e área de serviço externa. Nos dois métodos construtivos, as casas são produzidas previamente em fábrica, e montados no local. Considerando as 464 unidades previstas, o investimento total chega a R$ 169,8 milhões.
Após visitar uma das moradias, o governador Eduardo Leite afirmou que encontrar um terreno adequado para a construção das casas em Eldorado do Sul, município que teve 90% de seu território inundado durante a enchente, representou um grande desafio para o governo.
“A gente identificou ainda lá no final de 2024 essa área, mas aí já tinha um processo de urbanização, de loteamento. Tinha o desafio de fazer todo o processo de aquisição, negociação, compra, depois atualização das matrículas e ainda contratação das obras, da preparação dos terrenos e da implantação das novas moradias. E agora a gente consegue, a partir deste ano, desenvolver esses projetos, executar as obras”, afirmou.
Segundo ele, outras 180 casas serão entregues no loteamento Gardenville até o fim do ano. As unidades restantes devem ficar prontas até o primeiro trimestre de 2027.
Também participaram da cerimônia de entrega das moradias o secretário de Habitação e Regularização Fundiária, Bruno Silveira, a secretária de Planejamento, Governança e Gestão, Danielle Calazans, e a prefeita de Eldorado do Sul, Juliana Carvalho.
O que fica para 2027
As moradias integram o Plano Rio Grande, criado para planejar e reunir as obras de reconstrução do Estado após a enchente de 2024. Leite afirmou que algumas obras deverão ficar para a próxima gestão dar continuidade.
“Várias ações no curto prazo nós estamos entregando já, de estradas, pontes, que nós ainda entregaremos até o final do ano. Várias estão já em estágio avançado e vão ser entregues ainda no primeiro trimestre. E tem alguns projetos de mais longo prazo que vão ser entregues ainda ao longo do mandato do próximo governador ou vão estar começando a execução no próximo governo, para poder entregar ainda no governo seguinte”, disse.
Eduardo Leite afirmou que já tratou das ações do plano com o governador eleito, Luciano Zucco, nas reuniões de transição. Segundo ele, todas as informações necessárias para a continuidade do Plano Rio Grande foram repassadas.
“Eu acredito que há boa vontade no governador eleito para, a partir do projeto que nós elaboramos, aperfeiçoar, melhorar, aprimorar. Claro que isso exige constante revisão, ajuste, aprimoramentos. Nós mesmos, ao longo dos meus oito anos de governo, pegamos projetos que desenvolvemos e revisamos, reorganizamos em termos de algumas lacunas, algumas necessidades adicionais ou porque os tempos mudaram e exigiram ajustes. Isso faz parte do processo. O importante é que não se coloque nada fora para construir um novo projeto, simplesmente, o que atrasaria entregas para a população”, disse.
Futuro pós-governo
A cerca de 60 dias de deixar o cargo, após oito anos como governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite afirmou que pretende trabalhar na iniciativa privada em 2027.
“Eu começo a receber sondagens, naturalmente, do setor privado e já disse para eles que não pretendo falar sobre isso agora. Vou falar depois que eu sair do governo, para encaminhar o meu destino. É possível que eu faça uma parada técnica, eu diria assim, num período, em alguns meses, no ano que vem, participando em projetos, em organizações do terceiro setor. Existem organizações não governamentais, organizações da sociedade civil, que se dedicam, inclusive, a ajudar governos e governantes novos a estruturarem os seus governos. E, como a gente passou por toda essa jornada aqui, temos um conhecimento acumulado que pode, de alguma forma, ajudar outros governantes. Eu pretendo me colocar à disposição porque me realizo na vida pública e isso pode, de alguma forma, ajudar outras comunidades, outros estados, outras localidades a terem sucesso no seu planejamento de governo”, concluiu.
Casas para atingidos pelas enchentes em Eldorado do Sul