As ruas e avenidas de São Leopoldo amanheceram nesta segunda-feira sem a circulação de transporte público urbano devido a greve deflagrada pelos trabalhadores rodoviários, anunciada na noite de domingo após assembleia da categoria que definiu pela rejeição da proposta da patronal. As garagens das quatro empresas que formam o Consórcio Operacional Leopoldense (Coleo) permanecem com os portões fechados e com vigília dos trabalhadores de braços cruzados. Entre os usuários, poucos desavisados aguardavam pelo transporte nas paradas de ônibus.
Celina Silveira Moraes soube da paralisação assim que chegou no ponto de ônibus, no Centro da cidade. "Fui avisada pelos comerciantes, mas já pedi um motorista de aplicativo, pois preciso chegar antes das 8 horas no bairro Feitoria", disse a diarista, que costuma usar diariamente o transporte público para deslocamento entre bairros. João Cleber dos Santos Bittencourt, que também utiliza o transporte coletivo, já sabia da paralisação e se organizou para sair mais cedo para o trabalho. "Hoje combinei com um colega de pegar uma carona até o serviço. Não sabemos como será o restante da semana, mas caso a greve se arraste por mais dias, dividiremos os custos da gasolina até a circulação de ônibus voltar ao normal."
A proposta recusada pelos trabalhadores, entregue pela patronal minutos antes da assembleia, prevê um reajuste salarial de 4,42%, sendo apenas 2% aplicados de imediato e o restante somente em novembro, além da aplicação do mesmo índice ao vale-alimentação. O presidente do Sindicato dos Rodoviários de São Leopoldo e Região, Wilson Junior Caetano de Araújo, destaca que a principal reivindicação dos trabalhadores continua sendo a equiparação salarial, a retomada do quinquênio, garantia de vale-alimentação durante as férias, além da valorização econômica da categoria.
Segundo ele, os rodoviários de São Leopoldo convivem há anos com uma defasagem salarial em comparação aos profissionais que exercem a mesma função nos municípios vizinhos como, por exemplo, Sapucaia do Sul. A entidade reafirma que tem buscado uma solução negociada tanto com o Consórcio, quanto com a prefeitura, mas diante da ausência de uma proposta capaz de atender minimamente às reivindicações aprovadas pela categoria, a greve tornou-se inevitável. Procurados, o Coleo e a prefeitura ainda não se manifestaram neste primeiro dia de paralisação.
CONTRAPROPOSTA É APRESENTADA EM MEDIAÇÃO NO TRT
Durante a audiência de mediação realizada na tarde desta segunda-feira e coordenada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região, uma nova contraproposta foi apresentada ao Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de São Leopoldo para que a greve do transporte público urbano seja encerrada. O teor da nova proposta será submetido a votação em assembleia que será realizada com a categoria às 20 horas desta segunda-feira. Caso não haja adesão à nova oferta feita pela patronal, nesta terça-feira deverá ser liberada 50% da frota nos horários de maior movimento, das 6hs às 9hs e das 16h30 às 19h30.
O Sindicato defende recomposição integral da inflação do período, equivalente a 4,42%, além de ganho real de 10%, reajuste de 20% no vale-alimentação, pagamento do benefício durante as férias e descongelamento do quinquênio. O Município de São Leopoldo informou que acompanha as negociações no contexto da renovação do contrato do transporte coletivo, cujo vencimento está previsto para agosto, mas afirmou não ter condições de assumir compromisso financeiro neste momento nem conceder subsídio às empresas. As partes também ajustaram que, em caso de aprovação da proposta, não haverá desconto salarial relativo à paralisação desta segunda-feira.
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