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Grupo de engenheiros e técnicos apontam o que deve ser feito após as águas baixarem no Sistema de Proteção Contra Inundações de Porto Alegre

Manifesto é assinado por 48 autoridades, que também incluem hidrólogos e integrantes de diversos segmentos, com conhecimento sobre o sistema

Falta nas comportas é um dos problemas apontados
Falta nas comportas é um dos problemas apontados Foto : Alex Rocha / PMPA / CP

Porto Alegre enfrenta um momento crítico com as recentes inundações que assolam a cidade. Em uma manifestação pública, um grupo de engenheiros e técnicos especializados detalhou a situação do Sistema de Proteção contra Inundações da capital gaúcha e apresentou medidas emergenciais para mitigar os impactos imediatos, bem como propostas para a modernização futura do sistema.

O Sistema de Proteção contra Inundações de Porto Alegre, composto por aproximadamente 60 km de diques e muros e 23 Casas de Bombas, é considerado robusto e eficiente. No entanto, a falta de manutenção nas comportas e nas Casas de Bombas compromete seu funcionamento, conforme o grupo.

As recentes falhas são atribuídas a vazamentos nas comportas e ao estado precário das Casas de Bombas, que ficaram inundadas e sem condições de operar. “Os diques e os muros não vazam. Os vazamentos estão em boa parte das comportas sem manutenção”.

Alguns dos problemas, conforme o documento, puderam ser identificados já no ano passado durante as inundações que iniciaram no Vale do Taquari. “As deficiências nas comportas ficaram visíveis. Fáceis de serem sanadas, mas não foram. As próprias casas de bombas, bem como as Estações de Bombeamento de Água Bruta, estão inundadas”.

Após as águas baixarem

Após as águas baixarem, diversas medidas são indicadas para serem realizadas. Conforme o grupo, o DMAE necessita imediatamente consertar e, se necessário realizar eventuais substituições, das comportas do Sistema de Proteção contra Inundações.

Depois, deve-se contratar a regularização do funcionamento das casas de bombas, incluindo a sua ampliação e aperfeiçoamento, tendo por referência o Plano elaborado pelo DEP ainda em 2014 e cujos recursos financeiros de R$ 124 milhões foram perdidos em 2019. Tratam-se das Casas de Bombas 12; 13; 14; 15; 16; 1; 2; 3; 4; 5; 6 e 10.

Outa indicação é pela retomada do Plano de Desenvolvimento da Drenagem Urbana, elaborado desde 1998, entre IPH/UFRGS e DEP, constituindo o caderno do Plano para ampliação do Sistema de Proteção contra as Cheias.

Considerando que a Cidade possui mais de 40% de sua área praticamente na mesma cota das águas do Guaíba em tempos normais, foi levantada a necessidade de completar, aperfeiçoar e manter o seu Sistema de Drenagem Urbana, manter e aperfeiçoar permanentemente o seu Sistema de Proteção contra inundações. “É necessário e urgente recriar uma estrutura de primeiro escalão, o DEP ou semelhante. As empresas de saneamento de água potável e esgotos, por absoluta emergência e por ter tarifa específica para estas atividades, como é o caso do DMAE, não tem e não terão qualquer prioridade para as atividades de drenagem urbana e proteção contra inundações”, consta no documento.

Por fim, foi pontuada a necessidade de estudar a ampliação e o aperfeiçoamento, a nível estadual, de alternativas para os sistemas de proteção contra inundações, principalmente a região Metropolitana de Porto Alegre.

Signatário critica manutenção inadequada

O engenheiro eletricista e ex-diretor do DEP, Vicente Rauber - um dos signatários do documento - fez críticas à gestão do Sistema de Proteção Contra Inundações, em especial à manutenção das infraestruturas e dos recursos disponíveis.

Rauber enfatiza que a manutenção do sistema de comportas e casas de bombas não foi realizada adequadamente, o que contribuiu significativamente para a falha do sistema durante a inundação recente. “A gente verificou, quando começou a inundação, que esta manutenção não tinha sido feita. E nos causou muita estranheza porque, em setembro do ano passado, a natureza tratou de mostrar onde estavam os problemas. Então lá foi feito o diagnóstico”, enfatiza.

Além disso, Rauber reflete sobre a robustez e a eficiência do sistema de Porto Alegre em comparação com outras regiões, criticando a falta de ação e a manutenção inadequada. “Ninguém tem no Rio Grande do Sul um sistema robusto eficiente como o nosso. Ele não funcionou pelas razões explicadas”, afirma.