Na manhã desta terça-feira, moradores da Ilha da Pintada, em Porto Alegre, procederam eles próprios com a poda de um plátano em um terreno particular abandonado na avenida Presidente Vargas, não distante da entrada para a Ilha Mauá, diante do que definem como inércia da CEEE Equatorial em resolver o problema. A árvore, com mais de dez metros de altura e extensa copa, cresceu em meio aos fios de energia elétrica, representando um perigo para a comunidade. Ela já havia sido podada há alguns anos, mas subiu novamente na direção da fiação.
Segundo o aposentado Darlan Araújo, que vive há quase 60 anos na ilha, horas depois do temporal de domingo para segunda, a luz chegou a ser restabelecida pelos técnicos, porém logo os fios do local começaram a incendiar pelo contato com o vegetal. Diante disto, a energia havia sido cortada cerca de 24 horas antes, sem qualquer retorno desde então. “Desligaram um transformador que abastece toda a região de baixo da ilha e prometeram que viriam às 15h de domingo. Mas até agora, nada”, relatou Araújo. Ele comentou que fazia isso “porque o fio não estava energizado”, procedimento mesmo assim considerado arriscado.
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Assim, ele e vizinhos providenciaram uma escada para acessar o local, além de ferramentas. O terreno onde a árvore está plantada foi abandonado nas enchentes, e nele há apenas entulhos de madeiras e outros restos de construção. “Acho até que foi prudente desligar de novo. Mas que viessem arrumar logo. Já fizemos muitos protocolos, porém nada aconteceu. Da outra vez, a CEEE Equatorial veio, fez a poda e deu tudo certo. Nenhuma providência é tomada. Aqui é o último lugar que eles vêm consertar”, prosseguiu ele, relatando alimentos estragando em sua geladeira.
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A vendedora Zulmira Rossatto também disse que havia carnes apodrecendo em seu refrigerador. “Da rádio para cá, todo mundo está apavorado. Temos que trabalhar e tomar banho de água gelada. Tinha uma árvore caída aqui na rua ontem (domingo). A gente precisa de luz, e minha conta está sempre em dia. Eu mesmo trabalho com o celular, tenho o grupo da minha loja, só que acabou a bateria”, disse ela, contando que precisou sair de casa devido às enchentes e retornou somente dois meses depois.
Procurada, a CEEE Equatorial disse que no começo da manhã desta terça já havia restabelecido a energia elétrica para 85% dos clientes afetados pelos temporais do final de semana, correspondendo a 395 mil economias. Ao todo, 467 mil chegaram a ficar sem luz na área de concessão da companhia, sendo que os municípios mais atingidos haviam sido Porto Alegre, Alvorada, Viamão, Camaquã e Osório. A distribuidora afirma que “o resultado é reflexo do trabalho ininterrupto das equipes em campo”, informando ainda que estava em meio à contingência.