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Há quase 24 horas sem luz, moradores da Ilha da Pintada se arriscam podando árvores junto aos fios de energia

Galhos de plátano em terreno particular foram retirados após fiação pegar fogo na última segunda-feira, segundo eles

Moradores da Ilha da Pintada ainda sofrem com transtornos após temporal da noite do último domingo, 01/12
Moradores da Ilha da Pintada ainda sofrem com transtornos após temporal da noite do último domingo, 01/12 Foto : Camila Cunha

Na manhã desta terça-feira, moradores da Ilha da Pintada, em Porto Alegre, procederam eles próprios com a poda de um plátano em um terreno particular abandonado na avenida Presidente Vargas, não distante da entrada para a Ilha Mauá, diante do que definem como inércia da CEEE Equatorial em resolver o problema. A árvore, com mais de dez metros de altura e extensa copa, cresceu em meio aos fios de energia elétrica, representando um perigo para a comunidade. Ela já havia sido podada há alguns anos, mas subiu novamente na direção da fiação.

Segundo o aposentado Darlan Araújo, que vive há quase 60 anos na ilha, horas depois do temporal de domingo para segunda, a luz chegou a ser restabelecida pelos técnicos, porém logo os fios do local começaram a incendiar pelo contato com o vegetal. Diante disto, a energia havia sido cortada cerca de 24 horas antes, sem qualquer retorno desde então. “Desligaram um transformador que abastece toda a região de baixo da ilha e prometeram que viriam às 15h de domingo. Mas até agora, nada”, relatou Araújo. Ele comentou que fazia isso “porque o fio não estava energizado”, procedimento mesmo assim considerado arriscado.

Assim, ele e vizinhos providenciaram uma escada para acessar o local, além de ferramentas. O terreno onde a árvore está plantada foi abandonado nas enchentes, e nele há apenas entulhos de madeiras e outros restos de construção. “Acho até que foi prudente desligar de novo. Mas que viessem arrumar logo. Já fizemos muitos protocolos, porém nada aconteceu. Da outra vez, a CEEE Equatorial veio, fez a poda e deu tudo certo. Nenhuma providência é tomada. Aqui é o último lugar que eles vêm consertar”, prosseguiu ele, relatando alimentos estragando em sua geladeira.

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A vendedora Zulmira Rossatto também disse que havia carnes apodrecendo em seu refrigerador. “Da rádio para cá, todo mundo está apavorado. Temos que trabalhar e tomar banho de água gelada. Tinha uma árvore caída aqui na rua ontem (domingo). A gente precisa de luz, e minha conta está sempre em dia. Eu mesmo trabalho com o celular, tenho o grupo da minha loja, só que acabou a bateria”, disse ela, contando que precisou sair de casa devido às enchentes e retornou somente dois meses depois.

Procurada, a CEEE Equatorial disse que no começo da manhã desta terça já havia restabelecido a energia elétrica para 85% dos clientes afetados pelos temporais do final de semana, correspondendo a 395 mil economias. Ao todo, 467 mil chegaram a ficar sem luz na área de concessão da companhia, sendo que os municípios mais atingidos haviam sido Porto Alegre, Alvorada, Viamão, Camaquã e Osório. A distribuidora afirma que “o resultado é reflexo do trabalho ininterrupto das equipes em campo”, informando ainda que estava em meio à contingência.