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Há dois dias sem luz por conta de ciclone, moradores de São Paulo se adaptam e protestam

Região da capital paulista ainda tinha mais de 1 milhão sem energia elétrica

Danos à rede elétrica de São Paulo
Danos à rede elétrica de São Paulo Foto : Paulo Pinto / ABr / Divulgação CP

As cidades da região metropolitana de São Paulo enfrentam um apagão desde terça-feira, com pouco mais de 10% dos moradores sem energia elétrica após a passagem de um ciclone com ventos superiores a 100km/h.

No começo da noite desta quinta, um grupo de moradores de um bairro às margens da Via Anhanguera, conhecido como “Vila da Biquinha”, na altura do km 19, na região do Pico do Jaraguá, zona norte da capital paulista, interditou completamente a via no sentido capital. O protesto começou por volta das 19h.

A professora de cursos profissionais Leila Lasnaux mora no outro extremo da cidade, no Jardim Orly, zona sul. Sem luz desde as 10h da quarta-feira, ela resume a situação como de caos. A maior dificuldade de sua família, de quatro pessoas, é com a perda de alimentos.

No Jardim Orly o problema começou com uma árvore que caiu, derrubando fios, algumas ruas abaixo da de Leila. A Enel compareceu ao local, mas ficou pouco tempo e não realizou reparos. Segundo vizinhos, a empresa informou que não foram feitos os reparos por falta de remoção da árvore, por parte da prefeitura. A árvore permanecia no local até as 18h desta quinta-feira (11).

Não é o primeiro apagão de Leila. Em novembro do ano passado, a região ficou cinco dias sem energia. "Foi um caos também, aí só resolveu depois que foi para imprensa quando foi para a TV, aí eles tomaram a providência e o nosso receio é se vai voltar a acontecer a mesma coisa", explicou.

"A gente achava que ia ser regularizado. A Enel estava dizendo no primeiro momento que em 15 horas ia consertar a energia, depois passou para 18 e isso foi protelando e no final, enfim, ainda não resolveu. Para o celular estar funcionando, a gente teve que adquirir um gerador, a gasolina, mas ele é uma potência baixa, então a gente consegue carregando os celulares, tentando dar uma carga aqui na geladeira, mas não é o suficiente", complementa Leila.

O abastecimento por geradores também começa a enfrentar problemas. Moradora do bairro Raposo Tavares, a síndica profissional Regina Mantovani também assiste a mudança de previsões desde o meio da tarde de quarta-feira. O condomínio em que mora e no qual é síndica de uma das sete torres está com falta de energia, afetando áreas comuns e quase mil unidades. As torres funcionam com geradores a diesel, porém houve grande dificuldade em conseguir o combustível para mantê-los funcionando.

"Os moradores às vezes acabam achando que a culpa é nossa ou que não estamos tomando providências. Hoje eu já fiz umas três viagens para comprar combustível, para trazer aqui para o nosso gerador. Andei em três, quatro postos na região aqui. Não é que está faltando combustível. Como não tem energia, então eles não têm como mexer a bomba para abastecer para a gente. Como nosso galão é de 25 litros, ele suporta duas horas", explica a gestora

Ela diz que também enfrenta dificuldades, pois não tem estabilidade na internet que usa para trabalhar de seu apartamento. "Cada vez que a gente liga para a Enel e faz protocolo eles dão uma previsão. Agora, pelo jeito, parece que é só meia-noite (do dia 12) que irão arrumar. Se a empresa vier aqui é preciso apenas de dois minutos, porque é só ele ligar uma chave lá em cima (no transformador). Mas tem hora que eles nem atendem mais a gente, então prejudica", conta Mantovani.