Cidades

“Havia muitas crianças e adultos machucados”, conta testemunha de acidente em Gramado

Renê Guimarães Júnior estava em posto de combustíveis ao lado de pousada atingida pela aeronave

Foto : Camila Cunha

O comissário Renê Guimarães Júnior, da Polícia Civil de Capela de Santana, estava no plantão da Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) de Gramado no momento do acidente aéreo, por volta das 9h15min do último domingo, e tomava café na loja de conveniência no posto de combustíveis ao lado da pousada Floratta, atingida pelo avião. Com mais de 30 anos de trajetória na corporação, ele relatou que nunca havia visto algo parecido. “Foi uma cena de guerra”, resumiu.

“Vi um clarão e ouvi uma explosão muito forte. Vi também destroços vindo em direção ao posto. Até então, não sabíamos o que havia acontecido”, disse ele. O primeiro pensamento foi que um raio havia atingido o local. Chovia e havia uma neblina forte. “Havia muita gente machucada, assustada, crianças e adultos. Uma senhora estava com as roupas pegando fogo”. O carro dele estava estacionado próximo, e Renê, primeiramente, disse ter orientado as pessoas no local. Havia também muitos destroços no chão, mas identificá-los era impossível.

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“Mandei as pessoas saírem de perto porque havia muita querosene ainda. O pessoal começou a ir na direção desta senhora para apagar as chamas”. Em seguida, o comissário foi à delegacia, onde buscou seu colega, e retornou à área do acidente. “Tinha pessoas que queriam entrar na pousada de novo, mas mandávamos saírem. Mais tarde, começaram a chegar viaturas da Brigada Militar, o Samu, e tentamos isolar a área”.

A senhora com as roupas incendiadas foi, então, levada ao hospital. Ele relatou não ter ideia de quantas pessoas ajudou a salvar. “O medo era muito grande, comecei a vasculhar o posto. Constatei que alguns destroços que tinham voado e quebrado muitos vidros, eram do avião, e que havia acontecido um acidente ali. E havia pedaços de corpos também”. Segundo Renê, também havia muitos curiosos na área.

“Só pensei em ajudar, fazer o que fosse possível. Meu colega da delegacia é novo, mas foi muito prestativo, e tentávamos atualizar os grupos de mensagens com informações”. Ele disse ainda que permaneceu na área até a chegada do Instituto-Geral de Perícias (IGP), Defesa Civil e demais órgãos de segurança. Devido ao andamento da investigação, Renê contou que não pode informar o conteúdo dos depoimentos de quem estava na pousada. “Até colegas de plantão que estavam no descanso também atuaram nisto. Ouvimos relatos muito tristes, inclusive de pessoas que conseguiram fugir dali.”

Acidente aéreo em Gramado ocorreu na manhã de domingo | Foto: Leandro Maciel

O acidente

O avião turbo-hélice de matrícula PR-NDN, pilotado por Luiz Cláudio Galeazzi, decolou do Aeroporto de Canela às 9h12min com destino a São Paulo. Entretanto, por condições ainda desconhecidas, caiu a poucos quilômetros do aeroporto, após colidir primeiramente com a chaminé de um prédio, uma casa, uma loja e uma pousada.

O acidente causou a morte de Galeazzi e de nove de seus familiares. Além disso, 17 pessoas ficaram feridas. Duas seguem hospitalizadas depois de serem transferidas para Porto Alegre.