Na reunião-almoço da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha no RS, uma entidade que há mais de um século representa oficialmente a economia alemã no Brasil, o tema discutido desta quinta-feira foi "Oportunidades e Desafios para o H2 Verde no Brasil". O evento ocorreu no hotel Hilton Porto Alegre.
A palestra foi ministrada por Paulo Alvarenga, presidente Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo e CEO da thyssenkrupp na América do Sul. Ele falou sobre o Hidrogênio Verde, suas aplicações, os principais desafios e o potencial do Brasil em se tornar um fornecedor desse vetor energético para o mundo, destacando seu papel na descarbonização e no impulsionamento do desenvolvimento econômico e social.
O especialista ainda afirmou a necessidade de uma transformação urgente para a redução de gases para então poder alcançar a neutralidade das emissões de gases de efeito estufa até 2050.
“O desafio é muito grande. Nós continuamos acelerando as emissões ano após ano. Se 2050 fosse uma parede, nós estamos em um carro e indo em direção à parede com o pé no acelerador. Não estamos confiando no freio, estamos confiando no acelerador. Nós precisamos começar essa transformação de forma urgente para que a gente possa, ao longo da próxima década, conseguir estacionar, pelo menos parar de aumentar as emissões, e começar uma curva decrescente”, declarou.
Alvarenga ressaltou a necessidade de uma legislação que regulamente de forma eficaz o setor. Ele também destacou a longa história e a escala massiva da indústria de petróleo e gás, contrastando com o desafio do hidrogênio em ganhar competitividade devido à falta de escala atual. Destacou o dilema enfrentado pela energia limpa, evidenciando que sua falta de escala resulta em custos mais elevados, enquanto a infraestrutura estabelecida ao longo de décadas favorece a indústria de combustíveis fósseis. A transição para o hidrogênio verde, segundo ele, requer uma escala significativa para competir com o hidrogênio cinza atualmente predominante no mundo.
“ A gente quer uma energia limpa que não polua, mas ela custa mais caro. Ela custa mais caro porque não tem escala hoje. Então nós temos um dilema. E a competitividade do hidrogênio verde ele já requer escala. Primeiro, só para substituir o hidrogênio cinza do mundo hoje pelo hidrogênio verde nós já precisaríamos cerca de mil megawatts de eletrodos”, explicou.
Durante o evento, o presidente da AHKRS, Cleomar Prunzel, e o vice-presdiente da AHKRS, Everson Oppermann, entregaram uma placa de parabenização ao presidente brasileiro da Stihl, Claudio Guenther e ao vice-presidente de operações, Arno Tomasini, em homenagem aos 50 anos da empresa. O presidente Guenther expressou gratidão pela homenagem destacando uma parceria de 50 anos, sendo um dos primeiros associados, e a influência da cultura alemã e das universidades na formação da mão de obra qualificada da empresa. Ele enfatizou a exportação de máquinas para 72 países, a fabricação local dos cilindros e presença das máquinas em 162 países, evidenciando a exportação de tecnologia brasileira. Guenther enfatizou que apesar dos desafios, o mercado doméstico cresceu 6,1% em relação ao ano anterior nos primeiros 10 meses.
Sobre a sustentabilidade, o presidente afirmou que a Stihl tem metas bem definidas para a redução de CO2, destacando o uso de energia limpa na fábrica e o interesse no futuro do hidrogênio verde.