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Hulha Negra deve ganhar Estação de Tratamento de Água em 2026

Cidade da Campanha, abastecida por postos artesianos, sofre com a estiagem desde o mês de outubro do ano passado

A implantação da tubulação da ETA deve ocorrer em fevereiro
A implantação da tubulação da ETA deve ocorrer em fevereiro Foto : Prefeitura de Hulha Negra / Divulgação / CP

Enquanto muitas cidades sofrem com as consequências de chuvas intensas, Hulha Negra, na Campanha, segue tentando amenizar o efeito da estiagem para a sua população. A cidade, que tem aproximadamente seis mil habitantes, é abastecida por poços artesianos.

Conforme laudo da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), a estiagem iniciou em outubro de 2025 e afeta o abastecimento de água para consumo. A precipitação registrada no mês de outubro de 2025 foi de 54 mm, enquanto a média histórica é 169 mm. Já em novembro foi de 86,1 mm, para uma média de 110 mm. Em dezembro choveu 128 mm, acima da média histórica de 105 mm, mas não chegou a recuperar o déficit hídrico.

Com isso, o prefeito Fernando Campani decretou situação de emergência. "A decisão é fundamentada em laudos técnicos, realizados localmente, uma realidade regional também apontada pela Agência Nacional das Águas e uma socioambiental preocupante", lamentou. Segundo ele, Hulha Negra, assim como os municípios vizinhos, e boa parte da região da campanha, está contida na poligonal da insegurança hídrica.

"Temos territórios que são semelhantes à insegurança hídrica do Nordeste brasileiro", comparou. A cidade vive constante e rotineira situação de emergência referente oferta e consumo de água, ora por excesso, ou por escassez. "Queremos medidas políticas nacionais para ser orientado a outra realidade", destacou.

A cidade tem um modal de água subterrânea. "As nossas fontes são insuficientes e apresentam elementos limitantes ao consumo humano devido à proximidade com o carvão e outros minerais. Além disso os postos artesianos estão diminuindo sua oferta e a fonte de abastecimento elétrico é instável", assinalou.

Busca de fontes alternativas

O prefeito revelou que está em busca de fontes alternativas de abastecimento. "Existe projeto para isso, para trazer para uma estação de tratamento de água e poder distribuir à população", frisou. Grande parte da população da zona rural nem poços tem e vive da captação de cisternas, até mesmo de açudes, com água barrenta para o consumo humano.

A cada 30 dias, a prefeitura leva água, em caminhões-pipa, para até 400 famílias. "Durante os últimos dois meses de 2025 tivemos uma forte demanda para atender população, pois diante da falta das chuvas que levaram também à escassez de oferta de água subterrânea, nós estamos atendendo emergencialmente", revelou.

Para tentar resolver o problema da crise hídrica, prefeitos do Consórcio Público Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico dos Municípios da Bacia do Rio Jaguarão (Cideja), do qual Hulha Negra faz parte, enviaram ao Congresso e ao Senado uma proposta de uma nova legislação para gerar uma Lei Nacional sobre Segurança Hídrica específica para a região da Campanha. A meta é realizar investimentos em obras de armazenamento de água, irrigação e ampliação do abastecimento de água potável para as populações da região.

Usina Termelétrica

A prefeitura de Hulha Negra também tem realizado um trabalho conjunto com a Usina Termelétrica Pampa Sul no processo de implantação e início da operação da Estação de Tratamento de Água (ETA) da Trigolândia. A empresa vem prestando apoio técnico e disponibilizando profissionais para capacitação da equipe municipal.

Neste mês, será realizado mais um curso completo, custeado pela Pampa Sul, incluindo capacitação específica para o tratamento químico da água. A previsão é de que a ETA entre em operação na próxima semana. Segundo o engenheiro civil Diego Pedro, será realizada uma limpeza na adutora que liga a Barragem do Jaguarão à ETA.

Para isso, haverá descarte de água por até 24 horas na localidade da Ponte do Chirma, garantindo a segurança e o bom funcionamento dos equipamentos. "Estou ligando as bombas para retirar todos os resíduos das tubulações antes que a água chegue à ETA. Após a chegada da água à estação, será realizada a limpeza do sistema. Estamos executando uma nova limpeza em toda a tubulação interna, com o objetivo de remover todo o lodo existente", destacou o engenheiro.
De acordo com o cronograma de trabalho da equipe de técnicos da Secretaria Municipal de Obras, Gestão Rodoviária e Saneamento Básico (Smors) em fevereiro, com recursos obtidos junto à Fundação Nacional de Saúde (Funasa), a implantação da tubulação deve ser finalizada, e a partir daí a água será distribuída pela rede.

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