Funcionários do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentaram na manhã desta quinta-feira detalhes sobre a pesquisa que será realizada sobre os impactos da enchente de 2024, no Estado. Esta é a primeira vez que o instituto realiza um projeto sobre os efeitos de desastres ambientais. A apresentação ocorreu no auditório do Consórcio Intermunicipal de Serviços do Vale do Rio Pardo (Cisvale), em Santa Cruz do Sul.
A pesquisa será realizada por telefone, entre os meses de setembro e dezembro deste ano. Entre os objetivos está o de entender como estava a vida das pessoas entre abril e maio de 2024 e como está atualmente. Os resultados devem ser divulgados em março de 2026. Os números de telefones foram obtidos por meio do Censo de 2022. Serão aplicados 15 mil questionários, mas primeiro haverá a fase de testes que terá início já na próxima segunda-feira e seguirá por 15 dias. Serão mil entrevistas por telefone com moradores do Estado. Dessas, 500 ocorrerão no Vale do Rio Pardo, região priorizada por conta da intensidade dos danos registrados. As outras 500 serão realizadas em áreas igualmente atingidas, como o Vale do Taquari e Porto Alegre.
Os temas abordados serão os impactos da enchente, no entorno (ruas alagadas, rodovias interditadas, pontes com problemas, condições das ruas, transporte público, entre outros). Além disso, também serão abordados ocorrências na casa e impactos na vida dos moradores, perfil da população, impactos no trabalho e na educação, qualidade de vida, prevenção e recuperação (qual era a situação em 2024, como é atualmente). Caso alguém da família tenha se mudado e formado um novo domicílio também precisará ser procurado. O setor do IBGE que irá realizar a pesquisa tem 120 funcionários e funciona das 7h às 19h. "É o horário de trabalho e também caso a pessoa queira tirar dúvidas pode ligar para 0800 7218181", destaca a coordenadora do Centro de Pesquisas Por Telefone (CETAC), Andréa Leonel Salvador. As pessoas que irão responder a pesquisa receberão ligação do número (21) 21420123. As ligações são gravadas. O IBGE utilizará sua estrutura para garantir agilidade, segurança e confiabilidade na pesquisa.
A analista socioeconômica e gerente substituta das pesquisas do Copis/ IBGE Juliana Paiva Vasconcellos está coordenando o estudo. Ela conta que o trabalho tem forte influência internacional. "É uma abordagem pioneira para medir os impactos do desastre, protocolos de atuação. Vamos ouvir a população e saber como estão agora", destaca. Segundo ela,as referências para a pesquisa são as comissões de estatísticas da Organização das Nações Unidas (ONU) e o Banco Mundial. "A decisão de realizar pelo telefone se deve a custos e efetividade da experiência e também é mais fácil de encontrar a pessoa", justifica. Os pilares que devem notificar a pesquisa são para saber quem é a população atingida, onde viviam, para onde foram, onde e como estão vivendo após o desastre climático. "O objetivo é avançar na compreensão dos danos sofridos e a efetividade das ações desenvolvidas, além de conhecer características socioeconômicas na época das enchentes, grau de gravidade, o tipo de suporte demandado e recebido, além das condições em 2024 e 2025.
Por vídeo o presidente do IBGE, Márcio Pochmann, lembrou que a pesquisa é uma inovação no instituto. "O tema ambiental veio para ficar e o Estado brasileiro tem que estar preparado, atuando. No segundo semestre poderemos contribuir ainda mais para que a pesquisa ofereça informações mais precisas sobre as políticas públicas no Estado", destacou. O diretor de pesquisa, Gustavo Junger da Silva, enfatizou que a iniciativa é um desdobramento de um esforço conjunto de todas as áreas do Instituto. "É uma metodologia que pode servir para outros eventos como este, formamos um grupo de trabalho para responder o mais rápido possível quando necessário", enfatizou. Para o diretor adjunto da diretoria de pesquisas do IBGE, Vladmir Gonçalves Miranda, os números impressionam. "Das quase 500 cidades do Estado 478 foram afetadas. Estes efeitos catastróficos demandam respostas rápidas do poder público e para isto são necessários os dados. Queremos produzir dados para que os impactos de futuros episódios como o que ocorreu sejam minimizados", conclui.