Cidades

Incêndio causou correria e pânico no Centro Histórico de Porto Alegre

Um casarão histórico e outros três prédios foram atingidos pelas chamas que começaram por volta das 14h45min

Multidão se aglomerou nas imediações do local para acompanhar o incêndio
Multidão se aglomerou nas imediações do local para acompanhar o incêndio Foto : Mauro Schaefer / CP

Porto Alegre presenciou cenas de correria e pânico no Centro Histórico na tarde desta quarta-feira, onde um casarão construído em 1884, onde funcionavam duas lojas, pegou fogo e atingiu outros três edifícios. O local, na Praça XV, estava com grande movimento e uma aglomeração formou-se em frente aos prédios em chamas.

Momentos depois, policiais militares, com a ajuda de populares, retiraram os bancos de concreto existentes no local para dar acesso aos caminhões do Corpo de Bombeiros Militar do RS (CBMRS). O efetivo do CBM não contou com a escada Magirus do caminhão da corporação da Capital, pois este estava em manutenção preventiva.

Em seguida, a multidão foi evacuada da praça e das imediações, causando a interdição de um perímetro que incluiu o Terminal Parobé. De acordo com a BM, ninguém ficou gravemente ferido. Ao menos quatro pessoas que estavam nos prédios afetados inalaram fumaça e foram conduzidas ao HPS.

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O fogo começou por volta das 14h45min na parte superior de um bazar e se alastrou rapidamente. Três equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas inicialmente, mas as fortes chamas também acabaram se espalhando para outros três prédios ao lado e aos fundos do imóvel.

Na parte superior do Edifício Praça XV, localizado ao lado esquerdo do casarão, pessoas abanavam pedindo socorro, o que causou ainda mais apreensão na multidão que acompanhava a cena na parte de baixo. Com a chegada de outras cinco equipes, os Bombeiros evacuaram os prédios.

Cerca de duas horas depois do início do incêndio, as chamas foram sendo controladas, mas a fumaça continuou forte, podendo ser vista pelas pessoas que trafegavam pela Orla do Guaíba, nas proximidades do Estádio do Internacional.

Conforme o coronel Deoclides da Rosa, comandante do 1° Batalhão de Bombeiros Militar (BBM), não houve vítimas graves, apenas pessoas foram conduzidas para atendimento por inalação de fumaça no HPS. Todos os ocupantes dos prédios, segundo o comandante, foram evacuados com segurança. “As perdas foram materiais, atingindo duas lojas, de calçados e roupas, e a fachada de prédios vizinhos. Todos os ocupantes foram evacuados com segurança”, afirmou Deoclides da Rosa.

Rescaldo

Conforme o comandante do 1° BBM, a causa do incêndio será investigada pela Polícia Civil, após realização do trabalho do Instituto-Geral de Perícias (IGP), e os trabalhos para a extinção de focos devem seguir por algumas horas devido à natureza inflamável dos materiais no local. Mesmo com o fogo tendo sido controlado, as autoridades pediram ao público que se mantivessem afastados devido ao trabalho de rescaldo.

Por volta das 17h20, a situação voltou a preocupar os bombeiros que faziam o rescaldo. No edifício Praça XV os vidros cederam na parte de trás do prédio e as chamas aumentaram de proporção no antepenúltimo andar. Cerca de uma hora depois, um novo foco de incêndio também foi registrado no penúltimo andar do Edifício Phoenix, no lado direito do casarão.

Oito caminhões, um veículo de apoio do Corpo de Bombeiros Militar do RS e dois carros da Defesa Civil participaram do trabalho. Um caminhão com escada foi deslocado de Caxias do Sul para apoiar o trabalho na Capital. A Brigada Militar deu suporte, controlando o isolamento da região.

Escada magirus vinda de Caxias do Sul

Com auxílio da escada magirus, vinda de Caxias do Sul para atender a ocorrência, Bombeiros conseguiram conter novos focos de incêndio que surgiram em um dos prédios na noite desta quarta-feira.

O comandante do 1º Batalhão de Bombeiros Militar (1º BBM), Tenente-Coronel Deoclides Silva da Rosa, explicou que o equipamento foi solicitado ao Corpo de Bombeiros de Caxias do Sul para auxiliar nos trabalhos, já que a escada que pertence à Capital está em manutenção.

Esferas atrapalharam os bombeiros

Até o início da noite, os Bombeiros ainda atuavam no combate aos focos de incêndio registrados nos prédios. Segundo o secretário executivo da Defesa Civil de Porto Alegre, coronel Evaldo Rodrigues de Oliveira Júnior, técnicos da prefeitura deverão fazer uma avaliação dos prédios atingidos após a liberação do trabalho de perícia. “Ainda não sabemos se será necessária a interdição. Temos que aguardar essas avaliações das equipes”, disse.

Durante os trabalhos, bombeiros relataram dificuldade de acessar o local do Incêndio por conta das esferas e bancos de concreto instalados no entorno do Largo Glênio Peres, ao lado do Mercado Público. O acesso dos caminhões ocorreu sem obstrução pela rua Marechal Floriano Peixoto, mas o objetivo era cortar caminho pelo Largo.

Em determinado momento da ocorrência, pedestres tentaram, inclusive, remover as esferas, que pesam mais de 50 quilos e são fixadas ao solo com parafusos de aço.

Em nota, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus) informou que os equipamentos serão reavaliados.

“A instalação dos balizadores foi para preservar o piso da praça, mas, em casos como este, do incêndio, mesmo havendo acesso pela rua, sendo necessário que os caminhões trafeguem na área da praça, está autorizada a remoção. A recolocação será avaliada”, diz a pasta.