A empresa Hector Studios, responsável pelo Castelo de Gelo, empreendimento no bairro Carniel, em Gramado, na Serra, atingido por um incêndio na noite de 9 de outubro de 2025, antes de sua inauguração, disse em coletiva de imprensa nesta segunda-feira, em Porto Alegre, que os prejuízos estimados pelo incidente são de cerca de R$ 25 milhões, e não há certeza sobre se o negócio será reconstruído.
O investimento na ocasião na obra havia sido de mais de R$ 10 milhões. Por volta de mil ingressos haviam sido vendidos antes da inauguração, e parte deles foi ressarcido, enquanto outra parte foi transformada em voucher para outras atrações do grupo. 85% da estrutura, prevista para ser inaugurada no mês seguinte, e com inspiração no filme A Bela e a Fera, foi destruída. Não houve feridos, e o fogo foi controlado pelo Corpo de Bombeiros.
“A nossa vontade é reconstruir, mas teremos que fazer um novo plano de negócios e de ação”, disse o empresário Eduardo Kny, sócio-proprietário da Hector Studios. Na coletiva, também estavam os advogados da Hector, Alexandre Curvelo e Lourenço Mayer Neto. Além do laudo técnico do Instituto-Geral de Perícias (IGP), um segundo, de uma empresa privada, foi contratado pela Hector, e ambos teriam concluído os mesmos aspectos.
Entre eles, o local de início do fogo, na área do sistema de refrigeração, em câmaras frias no segundo andar. “Quase tudo foi incinerado com fuligem, como se fosse um charuto queimando. No primeiro andar, algumas coisas foram preservadas, inclusive o DVR com as gravações requisitadas pela polícia”, comentou o empresário.
A Polícia Civil concluiu as investigações e indiciou três funcionários da Dufrio, empresa de refrigação contratada para instalar as câmaras frias. Kny confirmou que a obra não tinha seguro, que seria contratado após a entrega do empreendimento. Na noite do incêndio, disse o presidente, somente os três funcionários da Dufrio estavam no local, e o ponto controverso é a retirada de um equipamento, chamado Sitrad InBox, descrito por Kny como a “caixa-preta do empreendimento”.
“Nada aponta para uma custódia adequada no equipamento”
Ele é descrito como um equipamento que registra todos os dados de funcionamento dos equipamentos de refrigeração, com logs de temperatura e falhas em tempo real. Sua instalação ocorreu na manhã de quarta-feira, véspera do incêndio, e retirada somente teria sido percebida durante o acompanhamento da perícia técnica, na quarta-feira seguinte às chamas, ou seja, quase uma semana depois.
Conforme disse Kny na coletiva, ele teria sido levado para a sede da Dufrio e devolvido à Polícia Civil “muito tempo depois”. “Não há nada que aponte que houve uma custódia adequada neste equipamento. Isto é uma pergunta ainda sem resposta”, disse ele, quando questionado sobre se houve uma eventual violação do Sitrad entre a retirada e a devolução. Fato é que a Hector, ainda conforme Kny, iniciou um processo judicial no âmbito cível para apurar a extensão dos danos e responsabilizar a empresa de refrigeração, buscando compensação financeira.
“A empresa achou normal retirar este equipamento”, criticou Kny. Os cerca de 30 funcionários que já haviam sido contratados, entre elenco e equipe operacional, foram realocados para outros negócios do grupo. Ainda conforme Kny, a Hector aguarda liberação judicial para entrar no prédio, limpar o local e traçar um plano de reconstrução.
O que diz a Dufrio
Em nota, a Dufrio disse que “acompanha e tem interesse no esclarecimento das causas do incêndio do Castelo de Gelo em Gramado”, e que “entende que seus colaboradores e seu fornecedor agiram de acordo com a orientação dos proprietários do empreendimento e com a autorização dos Bombeiros para a retirada do Sitrad, com o objetivo de preservar informações para elucidar o caso”.
A nota prossegue dizendo que “o aparelho foi entregue à autoridade policial assim que solicitado e está sendo analisado pelo Instituto Geral de Perícias (IGP). Em razão disso e de outras questões importantes ainda pendentes e que não constam no relatório policial, acreditamos que o indiciamento é precoce e equivocado”.
Leia nota completa da Dufrio
A Dufrio acompanha e tem interesse no esclarecimento das causas do incêndio do Castelo de Gelo em Gramado. A empresa entende que seus colaboradores e seu fornecedor agiram de acordo com a orientação dos proprietários do empreendimento e com a autorização dos Bombeiros para a retirada do Sitrad, com o objetivo de preservar informações para elucidar o caso.
Reiteramos que o Sitrad tem identificação única e é inviolável e as informações nele contidas são fidedignas e asseguradas por laudo técnico do fabricante. O aparelho foi entregue à autoridade policial assim que solicitado e está sendo analisado pelo Instituto Geral de Perícias (IGP). Em razão disso e de outras questões importantes ainda pendentes e que não constam no relatório policial, acreditamos que o indiciamento é precoce e equivocado.
A Dufrio é uma empresa sólida com 28 anos de mercado, que atua com base em critérios rigorosos de qualidade e segurança, e colabora plenamente com as autoridades. A empresa apoia seus colaboradores e seu fornecedor terceirizado, confia no processo legal e acredita que o exame técnico dos fatos acarretará na desconstituição do ato de indiciamento pelo Ministério Público.
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