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Indústria de doces recorre a trabalho manual após perder equipamentos na enchente em Porto Alegre

Empreendedores no bairro São Geraldo enfrentam prejuízo e dificuldades em acessar linhas de crédito

Máquina formadora de doces está fora de uso após enchente na zona Norte da Capital
Máquina formadora de doces está fora de uso após enchente na zona Norte da Capital Foto : Camila Cunha

O mercado de alimentos foi um dos ramos que o dilúvio afetou em Porto Alegre. Toneladas de produtos foram perdidas na água, que também atingiu o maquinário de produção em larga escala. Como se não fosse suficiente, há ainda equipamentos contaminados com lodo que extravasou de bueiros.

A nova realidade obriga fabricantes a substituir tecnologia por trabalho manual. É o caso da Indústria de Doces Império, localizada na avenida Amazonas, na zona Norte da Capital.

Gerida pelos irmãos Michelle e Lucas Schnell, de 41 e 30 anos, respectivamente, a empresa chegou a ser invadida por quase 1,5 metros de água. Nesta quinta-feira, os dois descartavam materiais em meio a pilhas de lixo que se acumulam nas calçadas da região.

Antes do dilúvio, os proprietários contam que produziam até 3 mil doces por dia. Acontece que a água atingiu máquinas para embalar e dar forma aos produtos, o que resultou na queda de metade da produção.

Os irmãos contam com o reforço do pai e de mais cinco funcionários na confecção dos doces. A falta de equipamentos impede a fabricação de camafeus de nozes, mas o grupo segue com a produção de brigadeiros e branquinhos.

Reativado há 15 dias, o estabelecimento ainda têm marcas da inundação nas paredes, salas e pátios no andar térreo. A equipe teve que ser realocada para o segundo piso, que foi o único espaço do imóvel em que a água não chegou. O prejuízo da empresa é estimado em, no mínimo, R$ 42 mil.

De acordo com Lucas Schnell, outro obstáculo para a recuperação do serviço é conseguir acesso a recursos dos governos federal e municipal. Ele afirma que o suporte oferecido através do Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas), como a linha de crédito emergencial, não é suficiente para sanar o rastro de destruição que a água deixou.

“É inviável acessar a linha de crédito no Banco do Brasil. Ali, nos disseram que o recurso para empresas que faturam mais de R$ 360 mil por mês acabou. Agora temos que aguardar uma nova concessão, enquanto o prejuízo aumenta ao longo dos dias”, lamentou o empreendedor.

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