O ciclone extratropical que trouxe temporais ao sul do Brasil afetou sobretudo o fornecimento e energia elétrica em diferentes regiões do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná. Nos três estados, segundo levantamento oficial, 932,5 mil unidades consumidoras ficaram desabastecidas no auge do problema.
O maior número de clientes no escuro está localizado no RS - mais de meio milhão. No fim da manhã desta quinta-feira, a Rio Grande Energia (RGE) contabilizava 291,5 mil instalações com sem o serviço, sendo que 264 mil ainda não estavam religadas até as 18h. Por sua vez, o Grupo Equatorial, responsável pela CEEE informou que os temporais no RS interromperam o fornecimento a 262 mil unidades.
Em território gaúcho, as localidades mais afetadas estão nas regiões Metropolitana, Litoral Norte, Nordeste, Norte, Planalto, Serra, Vale dos Sinos e Vale do Taquari. Conforme RGE e CEEE, equipes trabalham para normalizar 100% dos sistemas em suas respectivas áreas de concessão.
Os danos são causados principalmente por galhos e objetos arremessados pelo vento sobre fios e outros equipamentos. As concessionárias não informaram prazo para a conclusão dos consertos.
De acordo com o presidente da CEEE Equatorial, Riberto Barbanera, equipes adicionais de Engenheiros e Técnicos do Centro de Controle das Operações da empresa já estão em campo e em escala ininterrupta de trabalho até que a situação se normalize. No fim da tarde, 191 mil clientes aguardavam religamento.
Em Santa Catarina, o ciclone comprometeu o serviço em 224.022 instalações mantidas pela empresa Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc). Até as 17h30min, 227.759 unidades consumidoras permaneciam sem energia em 16 municípios. Em 14 deles, mais 50% dos clientes foi atingido pelo corte.
Por sua vez, a Companhia Paranaense de Energia (Copel) informou que 155 mil imóveis ficaram sem energia no Paraná, a maioria no oeste e sudoeste, áreas com mais estragos.
Vento de 100 km/h
De acordo com a MetSul Meteorologia, os vendavais que atingiram o Rio Grande do Sul durante a manhã e o começo da tarde desta quinta-feira alcançaram rajadas de vento que passaram de 100 km/h. De acordo com dados de estações do Instituto Nacional de Meteorologia, a passagem da linha de instabilidade associada à formação do ciclone trouxe rajadas de vento de 122 km/h em Erechim, 91 km/h em Cambará do Sul e Soledade, 90 km/h em Bento Gonçalves, 87 km/h em São Vicente do Sul, 81 km/h em Lagoa Vermelha, 80 km/h em Santa Maria e Canela, 78 km/h em Ibirubá e Cruz Alta e 77 km/h em Rio Pardo e Passo Fundo.
O vento foi muito forte e com estragos em vários municípios do Litoral Norte, sobretudo nas áreas de Osório, Santo Antônio da Patrulha, Tramandaí e Imbé, mas a estação do Instituto Nacional de Meteorologia em Tramandaí está sem reportar dados de vento. O mesmo ocorre com a estação de Torres.