Em mais uma página da histórica enchente de 2024 em Porto Alegre, o Guaíba voltou a transbordar, prolongando a agonia de seus habitantes. Nem bem a água havia recuado para o leito na região do Cais Mauá, a chuva da madrugada desta segunda-feira proporcionou novamente um cenário desolador, com ruas alagadas e a sensação de que o fim deste triste período da Capital ainda está longe.
No bairro Ipanema, um dos pontos mais castigados deste o início da crise, em 3 de maio, a avenida Guaíba, viu aumentar os pontos bloqueados. A água cobre o asfalto e atinge cerca de meio metro em trechos como o da esquina com a rua Leblon. Nesta região, a violência das ondas que invadem o calçadão também geram acúmulo de areia. O volume é tão significativo que os pés chegam a afundar até os tornozelos ao caminhar pelo local.
Poucos carros se aventuram a cruzar os alagamentos. Apesar do risco, não há sinalização de trânsito.
Ainda na avenida Guaíba, mas já após o cruzamento com a Avenida Flamengo, o cenário é semelhante. Nesta região, algumas casas de frente para o lago que tiveram cercas e muros derrubados chamam atenção. “É exemplo da força da natureza, diz o aposentado Geraldo Castro, 66 anos, que mora no bairro desde 1966. Apesar do cenário de guerra que vive já há 30 dias, garante que não pretende deixar a região, que espera “retomar os dias de paz e tranquilidade”.
“Ainda quero tomar muito chimarrão vendo o pôr do sol”, deseja Castro.