Um painel no Seminário Internacional “Construindo Pontes: Trabalho e Justiça no Mercosul”, promovido pelo Tribunal Regional da 4° Região (TRT4) contou com as expositoras Adriana Celedón Bulnes, juíza do Trabalho chilena, e Fernanda Gil Lozano, professora argentina. A mediação contou com a juíza Maria Beatriz Gubert, do Tribunal Regional do Trabalho de Santa Catarina (TRT-SC).
A juíza Adriana Celedón iniciou sua apresentação falando da importância dos princípios de proteção à maternidade e à paternidade de trabalhadores com responsabilidades familiares. Ela ressaltou que muitos empregadores pensam que a relação com os familiares dos empregados se limita ao desconto da pensão alimentícia ou à permissão para saída no pré-natal ou o intervalo para amamentação dos bebês. “Nesse raciocínio, por exemplo, não estão contemplados os adultos com filhos para criar ou mesmo com pessoas com deficiência como dependentes. O trabalho do cuidado acaba se tornando invisível”, afirmou a magistrada.
Por fim, a magistrada falou do princípio da proteção à maternidade e à paternidade, para promover a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres, bem como a saúde e o bem estar não apenas das crianças mas também dos próprios progenitores.
A professora Fernanda Gil Lozano abordou aspectos históricos e sociais da Argentina, bem como questões raciais e de gênero. Segundo ela, a história do país é permeada por avanços e retrocessos no que se refere à inclusão e à redução das desigualdades.
A negação do diferente, de acordo com a professora, dificultou a elaboração de políticas públicas para enfrentamento da desigualdade. Ela conta que, historicamente, os Organismos Internacionais e o povo na rua (movimentos sociais) tiveram uma importância para reduzir as discriminações impostas à população.
No entanto, conforme a professora, as conquistas obtidas em 40 anos após a redemocratização, vêm sendo destruídas pelo neoliberalismo e pelo governo atual. “Hoje enfrentamos o desmantelamento de políticas para as mulheres, políticas contra a discriminação, políticas de saúde e de assistência social. A Argentina está em falta no que diz respeito ao combate à discriminação. Nesse sentido, os Órgãos Internacionais são importantes para fortalecer a democracia”, finalizou.