O diagnóstico precoce das hepatites é essencial para evitar a transmissão ou a progressão da doença e suas graves consequências, como o transplante de fígado. Para alertar a população sobre a importância de medidas preventivas, voluntários da entidade social ViaVida Pró-Doações e Transplantes distribuíram ontem, na Estação Rodoviária, em Porto Alegre, materiais informativos sobre as formas de contágio e o enfrentamento das hepatites. A ação ocorre na data instituída pela Organização Mundial da Saúde como o Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais - 28 de julho.
A tenda com informativos instalada na entrada principal da Rodoviária chamou a atenção da aposentada Zeloí Vieira da Silva, 67. Zeloí passou por um transplante de fígado, em 1996, em decorrência de uma cirrose biliar primária. Ela destacou a iniciativa e importância de conscientizar a população sobre a doação de órgãos. “Ganhei uma segunda chance. Vi meus netos e bisnetos chegando. E também levo uma vida normal, trabalho, faço serviço de casa. Vim a Porto Alegre fazer uma ecografia. Tenho que cuidar do fígado”, observou.
Vinte e sete anos após o transplante, ela leva uma vida normal. A campanha é importante, porque ainda são poucos os doadores de órgãos. O pessoal tem medo e preconceito de doar. Voluntária da ViaVida, Janete Rigotti Coutinho explicou que a iniciativa visa esclarecer para as pessoas a importância do teste da hepatite. “É uma doença silenciosa e quando ela se manifesta pode ser muito tarde”, afirmou. Segundo Janete, muitas pessoas têm dúvidas quanto aos locais disponíveis para testagem. “Podem fazer teste em qualquer posto de saúde. É rápido e totalmente gratuito”, ressaltou.
A enfermeira Maristela da Silva, que também atua como voluntária na entidade, esclareceu que o teste pode apontar se o paciente tem hepatite B ou C. “Se der algum teste positivo, a gente pede para fazer exames complementares para realmente ter diagnóstico e poder tratar”, observou. No ano passado, em parceria com o Ministério da Saúde e o programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a ViaVida fez 4,7 mil testes. Foram 14 positivos para hepatite C e 2 para B. Isso porque tem vacina para B, diferentemente da C, que não tem vacina”, esclareceu.
Conforme Maristela, entre as principais medidas para evitar a transmissão da doença, estão o uso de preservativo nas relações sexuais, a utilização de materiais esterilizados e descartáveis (em estúdios de tatuagens, de piercing e salões de beleza). “A gente pode contrair hepatite através de relações sexuais desprotegidas, compartilhamento de lâminas de barbear, alicates para cutículas que não foram bem esterilizadas”, afirmou. Ela alertou ainda que as pessoas com diagnóstico da doença podem desenvolver cirrose hepática e necessitar de transplante.
“A maioria das pessoas não sabe que tem hepatite. Ano passado tivemos várias pessoas que testaram positivo para hepatite C que não sabiam que tinham a doença. Eram totalmente assintomáticas”, completou. Ela ressaltou que a ViaVida conta com uma pousada localizada na rua São Mateus, no Jardim do Salso, na zona Leste, com capacidade para receber até dez pessoas que precisam fazer transplante em Porto Alegre. “Recebem alimentação, apoio psicológico e pedagógico. Tudo gratuito”, pontuou.