A Prefeitura de Lajeado realizou um ato simbólico para lembrar um ano da enchente que atingiu o Estado em maio de 2024. O pico da cheia foi registrado às 13h30 minutos do dia 2 de maio, quando o Rio Taquari chegou a 33,66 metros de altura. O ato ocorreu em frente ao Centro Administrativo, o local do município mais atingido pela enchente, onde foi inaugurado uma placa mostrando o nível.
A cidade também mantém nesta semana, em lembrança da data, a exposição "Marcas d'Água- A água passou e deixou marcas", da fotógrafa Carolina Leipnitz no largo da Prefeitura. Passados um ano, 465 famílias recebem aluguel social calamidade (R$ 1 mil por família) enquanto aguardam residências definitivas pelos programas habitacionais. Desde julho, não há mais abrigos ativos na cidade, quando todos que necessitavam foram encaminhados para aluguel social. Existem cerca de 400 casas definitivas previstas para Lajeado por meio de programas habitacionais dos governos estadual e federal e iniciativas privadas referentes às cheias de setembro de 2023 e maio de 2024.
A Prefeitura também realizou diversas ações para que situações como aquela não voltem a ocorrer na cidade. Em março deste ano foi instalada a primeira sirene de um sistema de alerta de cheias. O equipamento tem como objetivo melhorar as ações de prevenção e respostas quando ocorrerem enchentes do Rio Taquari. A primeira sirene foi instalada no prédio da Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Risque Rabisque, no Centro.
A sirene emite um som de alerta seguido de uma mensagem de voz orientando a conduta a ser adotada pela população residente das áreas de inundação. O equipamento funcionará com base no monitoramento do nível do rio, e a partir das cotas mínimas de inundação, os moradores de determinada quadra serão orientados a deixarem suas casas, situação que vai evoluindo com a subida do nível do rio e mais pessoas receberão a orientação de deixarem suas residências. A previsão é de que mais sirenes sejam instaladas, abrangendo os bairros Morro 25, Santo Antônio, Conservas, Centro, Hidráulica, Carneiros, Universitário e Campestre.
Além das réguas físicas que já estavam instaladas na escadaria da Rua Oswaldo Aranha, a Prefeitura solicitou a instalação de réguas físicas na Rua João Abott, facilitando a leitura em um local onde não há correnteza. Desde o último dia 15 um radar de alta precisão está instalado junto à Ponte de Ferro, sobre o rio Forqueta. O equipamento combina uma câmera com um radar capaz de detectar variações no nível da água com precisão de um milímetro, visando aprimorar o monitoramento de enchentes e inundações na região. Quando o nível do rio ultrapassa um limite pré-definido, o sistema emite um alerta automático para a central de monitoramento. Os operadores conseguem verificar a situação em tempo real por meio das imagens da câmera acoplada ao radar, permitindo uma análise imediata da ocorrência.
Em novembro, os agentes da Defesa Civil de Lajeado participaram, em Porto Alegre, do curso de capacitação da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs).
Em março, eles também receberam um treinamento vinculado ao Programa Defesa Alerta, da HUMUS, uma Associação brasileira de ajuda humanitária sem fins lucrativos que atua com foco em desastres. A cidade também criou Núcleos Comunitários de Proteção e Defesa Civil (NUPDECs) nos bairros Campestre, Centro e Morro 25, onde serão realizados treinamentos para grupos formados por moradores, com o objetivo de atuar na prevenção, preparação e resposta a situações de emergência. O plano de contingência foi atualizado e criado um de rotas de fuga no trânsito em eventos adversos.
Aquisições
A Prefeitura de Lajeado, por meio da Defesa Civil, adquiriu um barco e dois botes, cada um com capacidade para até seis ocupantes. Também foi adquirida uma camionete Nissan Frontier cabine dupla, motor diesel com tração nas quatro rodas. Em emergências, o uso das embarcações deverá ocorrer mediante a pilotagem de um bombeiro militar acompanhado de um voluntário da defesa civil. O município também contratou a Universidade do Vale do Taquari ( Univates) para elaboração de mapas de zoneamento de risco.
Reconstrução e limpeza da cidade
A limpeza da cidade, com remoção de entulhos, lama, árvores, reconstrução de ruas e acessos, demandaram por meses o uso de maquinário pesado e caminhões por parte da prefeitura. A contratação de horas-máquina e uso dos equipamentos do próprio município foi essencial para a reconstrução e limpeza da cidade. Além disso, duas escolas fortemente atingidas, tanto a Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Alfredo Lopes da Silva, no bairro Morro 25, quanto a Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Risque e Rabisque, no Centro, foram reformadas com recursos próprios.
Diversos setores como o Posto de Saúde do Centro e a sede da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SMDS), por exemplo, foram atingidos pela enchente. Em razão disso, grandes reformas, mudanças de endereço, aquisição de equipamentos e mobiliário foram necessárias para o restabelecimento de serviços essenciais à população. Em um ano, R$ 35 milhões foram destinados para o restabelecimento de serviços e recuperação dos setores atingidos pela enchente.
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