Nesta terça-feira, 27 de agosto, 11 anos e 7 meses após o incêndio na Boate Kiss, que matou 242 pessoas e deixou mais de 600 feridos. a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) lançou um memorial virtual às vítimas da tragédia. A maquete 3D da boate foi usada no julgamento dos réus, em dezembro de 2021 e está disponível ao público em geral pela primeira vez, na página da Universidade na internet.
Desde o incêndio, o dia 27 ficou marcado pelo clamor por justiça de familiares e sobreviventes. Nos primeiro anos, todo o mês ocorriam manifestações públicas, com a soltura de balões. O memorial virtual é considerado um recurso importante para o pedido de reparação e para a compreensão do que ocorreu em 27 de janeiro de 2013.
O memorial com uma maquete em 360º do prédio da boate, onde atualmente está sendo construído um memorial, foi desenvolvido pelo Projeto Memória, Justiça e Tecnologias Digitais Interativas da Universidade.
A reprodução da boate foi requisitada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul à equipe da professora e antropóloga, que já tinha liderado projeto semelhante para reconstruir digitalmente a antiga casa de tortura utilizada na ditadura militar da Argentina (leia mais abaixo). A maquete usada no júri da Kiss foi feita com imagens obtidas a partir do escaneamento digital, que reproduzem de forma exata o interior e o exterior do prédio.
Naquela ocasião, a estrutura foi elaborada com o UnReal Engine, programa usado para projetos de arquitetura e de jogos digitais. Para disponibilizar a maquete no portal da UFSM, uma adaptação foi necessária. “A maquete original era inviável para as placas de vídeo que a maioria das pessoas utilizam. Por conta disso, utilizamos um outro recurso, as chamadas fotoesferas, que criam imagens 360 a partir da maquete virtual original”, explica a professora do Departamento de Ciências Sociais, Virgínia Vecchioli.
O memorial com a maquete 3D trará os antigos ambientes da boate Kiss. Os internautas podem conferir fotos antes e depois, objetos e informações sobre as irregularidades do local, e relatos em português e em inglês de sobreviventes sobre o que ocorreu na noite do incêndio. Conforme a professora as informações foram obtidas a partir de trechos de escritos de depoimentos à Polícia Civil, em 2013; de áudios de depoimentos ao júri, em 2021; e em gravações de entrevistas à equipe do Projeto Memória, Justiça e Tecnologias Digitais Interativas.
Para aumentar a sensação de imersão, os internautas poderão visualizar a maquete com dispositivos de realidade virtual (RV), como o Google Cardboard, óculos de RV de baixo custo. A experiência será semelhante ao de navegar pelo Google Street View com recursos de RV.