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“Laranjinhas” ainda representam quase 20% da frota total de táxis de Porto Alegre

Desde 2018, troca do vermelho-ibérico original pelo veículo branco somente é obrigatória no final da vida útil dos veículos

Porto Alegre ainda tem táxis na cor vermelho ibérico, apelidados de laranjinhas | Os taxistas Rodrigo da Silva Moraes e Ênio Menezes da Silva trabalham em ponto de táxi na rua Dr. Armando Barbedo, no bairro Tristeza
Porto Alegre ainda tem táxis na cor vermelho ibérico, apelidados de laranjinhas | Os taxistas Rodrigo da Silva Moraes e Ênio Menezes da Silva trabalham em ponto de táxi na rua Dr. Armando Barbedo, no bairro Tristeza Foto : Camila Cunha

De cor laranja, ou melhor, vermelho-ibérico, os táxis da tonalidade anterior à branca marcaram época em Porto Alegre. Mas talvez ainda marquem, já que há 544 destes modelos mais antigos rodando pela Capital, cerca de um a cada cinco do total da frota, de acordo com dados de dezembro de 2025 da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC). Ao todo, havia na ocasião 2.954 prefixos ativos, dos quais 2.410 de táxis brancos, e 3.725 condutores ativos cadastrados na Capital. Dois destes “veículos em extinção” podem ser vistos com alguma frequência em um ponto da avenida Wenceslau Escobar, bairro Tristeza, na zona Sul.

“Eu prefiro o laranjinha, porque se destaca mais, fica mais bonito. Você vê muito carro branco na rua, e algumas pessoas que a gente pega como passageiro, principalmente gente de mais idade, às vezes ainda nem acreditam que os brancos são táxis”, disse o taxista Rodrigo da Silva Moraes, que atua há quase 18 anos na profissão. “Inclusive o branco é mais fácil de sujar. O laranja você somente passa um pano e já fica melhor”. Seu colega Ênio Menezes da Silva, que atua há mais de 40 anos com táxis, tem a mesma opinião. “Acho o laranja mais bonito, o passageiro reconhece de longe”, disse o experiente profissional.

A troca das cores dos veículos do serviço público de transporte individual em Porto Alegre é assunto que, além de gerar certa nostalgia, também possui opiniões divergentes. Há quem aprove e há quem desaprove a mudança implementada em 2018, quando a Câmara Municipal aprovou a chamada Nova Lei Geral do Táxi, modificando uma série de dispositivos deste transporte na Capital. Entre elas, a análise da ficha criminal e exigência da realização de exames toxicológicos para todos os motoristas cadastrados, além do padrão de vestimenta para homens e mulheres e o uso do cartão de débito e crédito.

No caso das cores, uma emenda ao projeto original definiu a nova identidade visual. A Prefeitura afirma que as alterações “valorizam a categoria e resultam em usuários mais satisfeitos, seguros e confiantes na prestação do serviço”. “A adoção da cor branca como padrão de toda a frota (...) propiciará uma melhor viabilidade econômica para a atividade, dispensando os taxistas de terem que pintar ou adesivar os carros no momento da compra e ingresso na frota, bem como no momento da venda a particulares”, disse a justificativa do texto.

Ele foi assinado, em dezembro de 2017, pelos vereadores Moisés Barboza, Ricardo Gomes e Comandante Nádia. Conforme a EPTC, não é mandatória a troca das cores dos veículos do vermelho-ibérico para o branco, mas a adequação é definida pela vida útil dos automóveis da frota, conforme outra lei de 2018. Hoje, ela é de 10 anos. O prazo do veículo de Rodrigo termina em 2027, enquanto o de Ênio, ainda neste ano. “Vou sentir saudades”, comentou o primeiro.

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