Com o Teatro da PUCRS lotado, foi lançado na noite desta sexta-feira, 23, o longa-metragem Tributo. Dirigido por Rodrigo Teixeira, o audiovisual é inspirado em história real e conta com debate sobre música, saúde e cuidados paliativos.
Ao explora os temas da vida, da morte e da ressignificação da finitude, Tributo transforma o Hospital São Lucas da PUCRS em cenário de acolhimento, arte e despedida. Por meio de canções autorais que emocionam e acolhem, o filme aborda o potencial da música como um poderoso instrumento de cuidado e acolhimento para pessoas em situações delicadas de saúde, especialmente no contexto dos cuidados paliativos, e também um caminho para elaborar o processo de despedida e o luto daqueles que ficam.
O trabalho apresenta a importância da escuta humanizada no ambiente hospitalar e a valorização de práticas artísticas que transformam o cotidiano de pacientes, familiares e profissionais da saúde.
Após a exibição do filme, foi realizado um bate-papo com a presença do diretor, da roteirista Heloisa Mazzini e do médico Lucas Ramos, coordenador do Núcleo de Cuidados Paliativos do Hospital São Lucas da PUCRS.
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Inspirado em uma história real vivida pelo diretor Rodrigo Teixeira, o filme tem raízes na trajetória de seu pai, Cícero Teixeira, que corajosamente enfrentou um câncer ao longo de cinco anos, falecendo em 2023. Durante esse período, Rodrigo promoveu saraus musicais no Hospital São Lucas, como forma de proporcionar leveza e afeto ao pai.
Um desses momentos marcou profundamente a família: Cícero equiparou a música a “uma transfusão de sangue”, ressaltando o efeito revigorante da arte em seu processo de tratamento. Esse testemunho tornou-se um dos motes para a concepção do filme.
De acordo com Priscila Silva, médica oncologista, muitos pacientes, assim como o pai do diretor, encontram na música um alívio e uma fonte de força durante o tratamento. Cícero é apenas um exemplo entre muitos pacientes que reconhecem o impacto positivo das ações artísticas realizadas em hospitais.
O título “Tributo” simboliza precisamente esse propósito: permitir que pacientes terminais recebam, em vida, o tributo que muitas vezes é concedido postumamente. No filme, a jovem Roberta abandona a carreira de cantora, no auge de sua primeira turnê, para cuidar da mãe, diagnosticada com câncer em estágio terminal.
A morte da mãe distancia Roberta do sonho de se dedicar à música. A vida da jovem toma novos rumos. Oito anos depois, já enfermeira em um hospital, Roberta se dedica intensamente a pacientes em estágio paliativo.
A conexão com César, um paciente cego, e Léa, uma jovem fotógrafa em fase terminal, reacende memórias e revela novos sentidos para o luto, a arte e o cuidado. Um pedido inusitado permite que Roberta ressignifique a música como um gesto de amor, transformando sua dor em cura.
O Hospital São Lucas da PUCRS, sob direção do médico Fabiano Ramos e com especial articulação do médico Plínio Baú, acolheu o projeto, cedendo suas instalações para as gravações do longa. Foi no Hospital que Rodrigo coletou as primeiras cenas da realidade do processo de despedida e se comoveu com a empatia incansável das enfermeiras, técnicas e médicos. Segundo o diretor, essa vivência profunda é parte essencial da alma do filme.
Rodrigo Teixeira é cineasta e ator, Mestre em Artes Cênicas pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Licenciado em Teatro pelo Departamento de Arte Dramática (UFRGS). Tem experiência nas áreas de direção, roteiro e atuação cinematográficas, ensino de teatro e produção de acessibilidade cultural.
Como diretor e roteirista, trabalhou em diversos projetos, incluindo os longas-metragens musicais “Os Felizardos,” e “A Última Noite em Madame Bublitz,”, em colaboração com a Bublitz Academia de Musicais. Como ator, recebeu o Troféu Cacto de Ouro 2022, por sua atuação no curta-metragem “As Mil Palavras de Giacomo Geremia”. Além da carreira artística, é especialista em Audiodescrição (PUC/MG) e sócio da Mil Palavras Acessibilidade Cultural.